Manual

de Serviços Divinos

 

 

Arcipreste D. Sokolof

Tradução: Rev. Pedro Oliveira Junior.

Mosteiro da Santíssima Trindade, Jordanville, NY

Impresso com a benção do Arcebispo Lauro

 

 

 

Conteúdo:

Idéias Preliminares.

A Natureza do Serviço Divino. A Origem dos Serviços Divinos. Sinais Exteriores.

O Prédio da Igreja Cristã.

Nomes dos Vários Prédios da Igreja. Aparência Externa das Igrejas. Artigos Para os Serviços Divinos.

As Pessoas Realizando os Ofícios

As Vestimentas.

Louvação Pública.

Os Três Ciclos.

Grandes Vésperas.

Matinas

A Liturgia.

A Respeito da Liturgia. 1. A Proskomédia 2. A Liturgia dos Catecúmenos 3. A Liturgia dos Fiéis.

Características Especiais dos Serviços Divinos.

Festas e Jejuns Fixos.

Festas e Jejuns Móveis.

A Santa Páscoa.

Da Semana de Páscoa ao Domingo de Todos os Santos.

As Diferentes Ministrações.

Os Sacramentos do Batismo e Crisma. A Consagração de Uma Igreja. A Confissão. O Sacramento das Ordens O Rito do Casamento. A Santa Unção.

Molebens.

O Sepultamento e Comemoração dos Mortos.

Adendo. O Rito de Unção de Czares na Sua Coroação.

 

 

 

Idéias Preliminares.

A Natureza do Serviço Divino.

Por "Serviços Divinos" a Igreja Cristã Ortodoxa entende uma série de orações, recitadas ou cantadas numa dada ordem, com certas cerimônias, por meio das quais os Cristãos Ortodoxos glorificam Deus e Seus Santos, expressam sua gratidão e oferecem suas petições, a através da realização desses serviços os Cristãos recebem misericórdia de Deus e a graça do Espírito Santo.

O serviço divino é privado ou doméstico quando é realizado privadamente por uma ou várias pessoas; é publico quando é realizado no nome de toda a Igreja, ou de uma comunidade de Cristãos, por pessoas autorizadas a faze-lo. As orações usadas em louvação pública são divididas em duas categorias: aquelas para serviços permanentes, isto é, serviços realizados diariamente para o beneficio de todos os Cristãos e aqueles para serviços ocasionais, isto é, serviços que são realizados em certas ocasiões, de acordo com necessidades especiais dos fiéis, e por isso chamados de tréba, uma palavra que traduzida, significa "necessidade."

 

A Origem dos Serviços Divinos.

Os serviços divinos tiveram seu aparecimento na terra simultaneamente com o homem. A bondade e poder de Deus impeliu o homem a louva-lo e agradecer a Ele: a consciência lembrou-nos de endereçar suas petições a Ele. E como homem consiste de corpo e alma intimamente ligados, a oração é expressa em palavras e acompanhada por certos movimentos do corpo, e, vice-versa, objetos externos levantam uma inclinação para a oração no homem. Desse modo a louvação privada originou-se e se desenvolveu, em variadas orações e ritos.

Mas os homens se ajuntaram e formaram comunidades, e isso deu razão para a uniformização de orações para todos os membros de uma comunidade, e para essas orações comuns foram gradualmente apontados: local, hora, ordem dos serviços e pessoas para realiza-los. Desse modo, à medida que a sociedade humana tornou-se organizada, a louvação publica também se desenvolveu.

Nos tempos do Velho Testamento, antes de Moisés, os serviços divinos eram do tipo privado, domestico. O paterfamílias — o patriarca — em nome de sua interia família ou tribo, selecionava o local, apontava o tempo e fazia a ordem das orações. Mesmo então certos, costumes começaram a enrijecesse em regras que os próprios patriarcas observavam, seguindo o exemplo de seus pais. Mas desde o tempo de Moisés, os Israelitas tinham uma louvação pública instituída pelo próprio Deus, com templo, sacerdotes e ritos. Jesus Cristo, o fundador e Cabeça da Igreja Cristã, enquanto Ele próprio concordava com todos os regulamentos da louvação judaica, não deu a Seus discípulos nenhum ritual definido. Mas Ele instituiu os sacramentos, ordenou a Seus discípulos pregar o Evangelho, ensinou-os a orar, prometeu estar presente nos ajuntamentos de Cristãos reunidos em Seu nome, e assim lançou as bases da louvação pública de sua Igreja. Foi essa a razão que fez com que, imediatamente depois da Ascensão de Cristo ao céu, uma certa ordem de louvação pública gradualmente começasse a se desenvolver na comunidade Cristã. No tempo em que os Apóstolos estavam vivos, certas santas pessoas já foram consagradas, certos locais foram indicados para serviço divino, e um ritual foi estabelecido para aqueles ofícios durante os quais os sacramentos de Batismo e Eucaristia eram administrados: além disso os principais ritos visavam acompanhar a celebração de outros Sacramentos, e até apontar os tempos para oração comum, certos dias de festa e jejuns. As perseguições que os Cristãos sofreram durante os três primeiros séculos retardaram-nos de compor um rito completo para a louvação publica e torna-lo uniforme para todos os Cristãos; tal ritual foi completamente desenvolvido e finalmente estabelecido somente quando o Cristianismo foi proclamado a religião dominante do Império Romano.

Sinais Exteriores.

Muitos dos sinais exteriores na oração são comuns a todos os homens: inclinação do corpo até a cintura ou até o chão, ajoelhamento, inclinar a cabeça, levantar as mãos. Todos esses gestos expressam devoção a Deus, humildade, arrependimento, súplica por misericórdia, gratidão e reverência.

Mas, à parte dessas expressões universais de sentimento de oração, os Cristãos Ortodoxos, quando orando, usam um sinal que pertence exclusivamente a eles, o sinal da Cruz.. Esse sinal, de acordo com o mais velho costume, nós fazemos da seguinte maneira: o dedão, o indicador e o dedo médio da mão direita nós juntamos, enquanto dobramos o anular e o dedo mindinho até que eles toquem a palma da mão. Tendo disposto os dedos desse modo nós tocamos com eles primeiro a testa, depois o peito e depois primeiro o ombro direito e então o esquerdo, fazendo assim em nossa pessoa o sinal da Cruz. Por esse sinal expressamos nossa fé nas coisas que Cristo, o Salvador nos ensinou e fez por nós; juntando os três dedos expressamos nossa fé na Santíssima Trindade, consubstancial e indivisível; pelos dois dedos dobrados até a palma da mão nós expressamos nossa crença na descida para a terra do Filho de Deus, e em ter Ele assumido humanidade sem Se despojar de Sua divindade, unindo-nos assim duas naturezas em Si próprio, a divina e humana. Tocando nossa testa, peito e ombros, expressamos nossa crença que o Deus Triúnico santificou nossos pensamentos, sentimentos, desejos e atos: finalmente, fazendo em nós próprios o sinal da Cruz, nós expressamos nossa crença que Cristo santificou nossa alma e nos salvou por Seus sofrimentos na Cruz.

 

 

O Prédio da Igreja Cristã.

 

Nomes dos Vários Prédios da Igreja.

Nós damos o nome de Templo ou Casa de Deus para um prédio especialmente consagrado á Deus, ou para uma parte separada do prédio assim construído, onde os Cristãos se juntam para oferecer a Deus suas orações comuns, e para receber Dele Suas graças através dos Santos Sacramentos. Porque a totalidade dos Cristãos tomados juntos forma a Igreja, por conseqüência os prédios em que eles se juntam para orações comuns são da mesma forma chamados de Igreja.

Toda Igreja é consagrada a Deus e santificada em nome da Santíssima Trindade, e é por isso intitulada "um templo ou Igreja de Deus." Mas à parte essa resignação geral, cada Igreja tem seu nome particular, tais como: "Igreja da Santíssima Trindade," da "Ressurreição de Cristo," "dos Santos Apóstolos, Pedro e Paulo," "da Dormição da Santíssima Mãe de Deus," "de Santo André o Primeiro Chamado," "de São Nicolau o Taumaturgo.". Nomes especiais são dados a Igreja erigidas em alguma ocasião memorável particular, porque Igrejas freqüentemente são dedicadas á memória de algum evento ou outro da vida do Salvador ou Sua Mãe, ou ainda de algum santo que é especialmente venerado em alguma dada localidade, ou cujo nome era levado pelo fundador principal da Igreja ** .

Quando uma cidade ou vila tem muitas Igrejas, uma delas recebe o nome de "geral" ou "universal" (sobór), porque, em dias de festas solenes, não só os paroquianos dessa Igreja mas pessoas de todas as paróquias se reúnem ali para os ofícios divinos. Em grandes cidades freqüentemente existem várias Igrejas gerais. Aquela na qual está situada a cátedra episcopal é chamada de Catedral.

Junto com a organização na terra da comunidade dos que acreditam em Cristo, as Igrejas Cristãs aparecem como pontos de reunião para esses fiéis. Os Apóstolos os primeiros Cristãos suportaram perseguições por sua fé e pelos pagãos, e por essa razão costumaram se reunir para rezar em casas privadas; mas mesmo em tais casas eles costumavam separar um espaço para louvação, para o qual olhavam com reverência, como para um local onde o Senhor estava presente pela Sua Graça. Quando os Cristãos cresceram em número e faltavam casas privadas para suas reuniões, enquanto eles não foram autorizados a construir templos especiais para sua louvação eles começaram a se reunir em bosques, em desfiladeiros, em montanhas e em cavernas, ou, se eles vivessem em cidades ou nas redondezas delas, eles se reuniam em cemitérios subterrâneos conhecidos como catacumbas. Enquanto eles eram perseguidos por sua fé, eles não podiam decorar os locais onde se reuniam, ainda que quisessem faze-lo. Assim mesmo, impelidos pelos seus pios sentimentos, eles usavam, em lugar da decoração, certos sinais ou símbolos alegóricos, só compreensíveis por eles mesmos. Assim, nas paredes das catacumbas, eles representaram a Cruz de Cristo, pela letra T; às vezes eles faziam um bloco quadrado de pedra e nela uma porta, vendo nisso uma semelhança com Cristo, que é a rocha da salvação e a porta pela qual quem passar será salvo. Freqüentemente, Cristo era representado na forma de peixe, porque a palavra grega para "peixe," ichthys, é composta pelas letras iniciais nas palavras: "Ieusous Chritos, Theos Yios Soter" "Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador." Ainda méis freqüentemente Ele é representado com um Cordeiro, ou como um Pastor carregando uma ovelha sobre Seus ombros. A Ressurreição era pintada como uma baleia ejetando um homem (o Profeta Jonas) para fora de sua boca. Mais tarde eles começaram a pintar retratos de mártires em algum lugar perto de seus túmulos nas catacumbas. Naquele tempo eles realizavam os ofícios divinos em roupas comuns, só que eles usavam suas melhores e mais ornamentadas roupas, preferivelmente brancas. Quando aos Cristãos, foi permitido professar sua fé publicamente, eles começaram a construir templos, ou melhor Igrejas. Às vezes eles transformavam prédios existentes em Igrejas, adaptando-os aos requisitos. Mas na maioria dos casos, eles construíram prédios especiais, que diferiam dos outros na aparência externa e nos arranjos internos.. As primeiras Igrejas construídas pelos Cristãos diferem das nossas Igrejas modernas pois elas não tinham iconostase, mas o santuário era separado do corpo da Igreja só por uma cortina, ou mesmo por uma cerca. Além de que, grandes extensões eram acrescentadas às Igrejas para uso dos catecúmenos, isto é, pessoas que ainda não tinham recebido o batismo, mas estavam se preparando para recebe-lo e estavam passando por instrução elementar na fé Cristã.

 

Aparência Externa das Igrejas.

O formato geralmente mais aceito para as Igrejas Cristãs é o oblongo, uma imitação de uma nave. Dando forma a suas Igrejas, os Cristãos expressavam o pensamento que, como uma nave, sob a direção de um bom timoneiro, leva homens através de mares tempestuosos para um porto tranqüilo, assim a Igreja, governada por Cristo, salva os homens de se afogarem nas águas profundas do pecado e leva-os para o Reino do Céu, "onde não há nem amargura nem suspiros." As Igrejas são freqüentemente construídas na forma de uma cruz, para mostrar que os Cristãos obtêm salvação pela fé em Cristo crucificado, por Quem eles estão prontos para sofrer todas as coisas. Às vezes a Igreja tem a forma de um circulo na idéia que a Igreja de Cristo (isto é, a comunidade daqueles que acreditam em Cristo) existirá por toda a eternidade e que ela pelos séculos dos séculos unirá os fiéis a Cristo, pois é círculo é o emblema da eternidade. Às vezes, também, a forma é de um octógono — a forma de uma estrela — na idéia que, como a estrela mostra ao homem o caminho numa noite escura, a Igreja ajuda o homem a caminhar ao longo do caminho da justiça entre as trevas da iniqüidade que o cercam. As duas últimas formas não são usadas com freqüência, pois elas são inconvenientes para os arranjos internos da Igreja.

A entrada de uma Igreja é quase sempre virada para o Oeste, a Igreja sendo com sua maior parte virada para o leste, por conta que os fieis Cristãos entram das trevas da impiedade para a luz da verdade (o leste sendo o símbolo da luz, bondade, verdade. Enquanto que o oeste é o símbolo das trevas, malignidade, erro). Essa regra é deixada de lado só quando um prédio construído para outro propósito é murado para Igreja, ou se uma Igreja é colocada numa casa privada, na qual a entrada e a parte maior estão locadas de acordo com a conveniência.

No telhado existem usualmente uma ou muitas cúpulas (torres com tetos redondos ou pontiagudos) significando que os Cristãos deveriam desapegar-se de suas amarras mundanas e aspirar pelo céu. Essas cúpulas às vezes são chamadas crista ou cume. Uma crista ou cúpula significa que a comunidade de Cristãos tem uma só cabeça — Cristo; três cúpulas são erigidas da Santíssima Trindade; cinco apontam para Cristo e os quatro Evangelistas, que deixaram para nós descrições da vida de Cristo; enquanto sete indicam os sete sacramentos (através dos quais nós recebemos os sete dons do Espírito Santo), e os Sete Concílios Ecumênicos, pelas orientações dos quais os Cristãos são guiados, até os dias de hoje; nove cristas nos lembram das noves classes de anjos que habitam no céu, e a quem os Cristãos desejam se juntar no Reino do Céu, enquanto treze significam Cristo e Seus doze Apóstolos. Toda cúpula, ou quando não há nenhuma, o telhado tem no seu tipo uma Cruz, o instrumento de nossa salvação.

O Arranjo Interno.

O interior é dividido em vários compartimentos: 1) o Santuário, onde o ofício divino é realizado; 2) a Capela da Prothesis, contendo a Mesa de Oblações, para a guarda das vestes sagradas; 4) o Corpo da Igreja, para os fiéis; 5) o Vestíbulo e o Pórtico para os catecúmenos.

 

O Santuário.

Para aqueles que realizam os ofícios divinos, a parte leste da Igreja é à parte. É um pouco elevada em relação ao resto, para que o ofício seja ouvido por todos os presentes, e pe chamada de Santuário. Pessoas não consagradas ao serviço da Igreja não são permitidas entrar nessa parte dela. O santuário é separado dos fiéis por uma cortina e por uma partição ou biombo. Em algumas Igrejas existem vários santuários dedicados à memória de vários eventos ou várias pessoas. Eles são chamados de anexos ou capelas.

No meio do Santuário fica uma mesa quadrada; é o altar; também chamado de Santo Trono, porque o Senhor está presente Nele, ou Santa Mesa, porque sobre ela é oferecida aos Cristãos o Sacramento da Eucaristia, é partilhada do Corpo e do Sangue de Cristo. O altar é feito quadrado considerando que a doutrina e sacramentos de Cristos livres para os homens das quatro partes do mundo.

O altar, sendo o lugar onde repousa a Glória do Senhor, é vestido com duas coberturas; a primeira é de linho branco, a segunda ou externa é de um rico brocado. Sobre o altar é colocado um pano de linho ou seda, no qual está representada a Descida da Cruz e a preparação do Corpo de Cristo para o enterro. Esse pano é chamado de Antimension, que significa "o que está em lugar do altar." A origem do Antimension é a seguinte: a lei demanda que uma igreja Cristã seja consagrada por um bispo; e como nem sempre há um disponível para fazer isso, e, além disso, como Igrejas móveis devem ser organizadas para viajantes, tornou-se usual párea os bispos consagram só a parte superior do altar, ou até mesmo panos de linho u seda, que depois de assinarem com seu nome, eles enviam para as Igrejas recém construídas, ou dão para pessoas que estão começando uma viagem. Mais tarde, o Antimenion tornou-se um item necessário para todo altar, mesmo para aquelas Igrejas que tinham sido consagradas por um por um bispo pessoalmente. Em todo Antimension é costurada uma partícula de uma alguma santa relíquia (isto é, de um remanescente incorruptível do corpo de um santo), em memória do fato que nos primeiros tempos os Cristãos usavam se reunir para os ofícios divinos sobre ou dos lados dos túmulos dos mártires,e levando-se em conta que os santos, estando perto de Deus, intercedem por nós com suas orações. Se a Igreja é consagrada por um bispo, a relíquia é colocada dentro do altar, no centro dele, sobre um aparador dentro de uma pequena caixa especial, para evitar danos; ela é enrolada num pano de seda chamado pleiton , que significa "o embrulho."

Atributos indispensáveis do altar são a Cruz e o Evangelho.A Cruz posta ali como um sinal da vitória de Cristo sobre o demônio e de nossa libertação, e o Evangelho porque é o livro que contem a palavra de Cristo, segundo as quais nós podemos obter salvação. Nos primeiros tempos do Cristianismo, antes que a execução de criminosos pela crucificação fosse abolida, os Cristãos usavam cruzes adornadas com ornamentos, mas sem a representação de Cristo crucificado; às vezes eles pintavam nela somente um Cordeiro, ou no pé da Cruz ou carregando uma.

O Evangelho que é mantido no altar tem sempre uma bela capa, no meio da qual existe uma representação de Cristo Salvador (muitas vezes a Ressurreição), enquanto os cantos são ocupados pelos quatro Evangelistas. Esses são representados com seus respectivos símbolos, em outras palavras, suas características, isto é, símbolos que aludem ao conteúdo dos livros que eles escreveram. Com o Apóstolo Mateus nós vemos a face de um homem ou um anjo, porque Mateus descreve Jesus Cristo principalmente como o Filho do Homem, o descendente de Abrahão, como o Messias esperado por Israel, de quem os profetas escreveram. O Evangelista Marcos representou Cristo como "o Enviado por Deus" possuidor de todo poder, o Rei de todos os homens, sejam judeus ou gentios, e por isso seu símbolo é o leão, o poderoso rei das feras. O Evangelista Lucas, como representou Cristo como o Salvador de toda humanidade, que se ofereceu em sacrifício pelos pecados dos homens, tem o touro, o animal que os judeus costumavam sacrificar. O Evangelista João nos deu mais completamente que os outros Apóstolos a sublime doutrina de Cristo como o Filho de Deus; por isso ele é associado com a Águia, o pássaro que voa muito alto e fixa seu olhar no sol.

Além da Cruz e do Evangelho fica no altar uma arca ou tabernáculo, na qual são preservados os Santos Dons (o Corpo de Cristo, saturado com Seu Sangue); reservados para dar comunhão aos doentes, e em outros dias quando não é permitido celebrar a liturgia. Esses tabernáculos são às vezes feitos na forma de um caixão, ou gruta sepulcral, e nesses casos são chamados de "sepultura"; - e em outros casos tem a forma de um templo. Um tabernáculo em forma de um templo, costumava-se chamar nos velhos tempos de "Sião" ou "Jerusalém." Todos os tabernáculos são igualmente chamados de cibória. O ciborium usado para carregar os Santos Dons para uma caixa privada para dar comunhão para uma pessoa doente, é um cofre com vários compartimentos. Em um é colocado um cofre muito pequeno contendo partícula dos Santos Dons. Em outro há um pequeno cálice com uma pequena colher, e num terceiro um pequeno vaso com vinho e uma esponja para limpar o cálice com ela. Tal cibória é também mantido no altar.

O espaço atrás do altar é chamado de Béma ou "lugar eterno," porque é às vezes mais elevado que o resto do santuário. Nesse lugar é colocada a Cátedra ou trono do bispo e de ambos os lados há assentos para os padres. Em nossos dias a Cátedra episcopal é colocada somente nas principais Igrejas (sóbor), que antigamente eram chamadas de Catedral. No lado leste da Igreja, há uma representação do Salvador, e dos dois lados dela, há ícones dos Apóstolos, mas mais freqüentemente de santos bispos. A lâmpada diante do ícone do Bema é chamada de luz alta. Nas Igrejas muito antigas onde a parede leste sempre tinha uma janela, o Sacramento da Eucaristia era representado de ambos os lados dessa janela: de um lado Jesus Cristo dando Seu Corpo na forma de pão para seis Apóstolos, e do outro lado dando comunhão para os outros seis Apóstolos do cálice cheio com Seu Sangue na forma de vinho.

Às vezes um conopeu é erigido sobre o altar, sobre quatro colunas, e pendente dele há uma pomba com asas abertas, um símbolo do Espírito Santo.

 

A Capela da Prótese.

No lado esquerdo do Santuário fica a capela da Prótese ou "ofertório." É onde as ofertas dos Cristãos para o oficio divino são recebidas. Essa capela às vezes forma um compartimento separado, dividido do Santuário por uma parede com uma porta ou só por colunas ou cortinas. Em muitas Igrejas, no entanto, ela está ligada ao Santuário. Nesse espaço há sempre uma mesa sobre a qual são depositadas as ofertas. É chamada de mesa da Oblação e é coberta com panos ricos, como o altar; a parede em, volta é decorada com ícones. Sobre essa mesa também são colocados os vasos sagrados usados na preparação do Sacramento na Eucaristia. Eles são os seguintes:

A Patena ou Diskos (que significa uma bandeja redonda) onde são colocados as porções de pão cortados em memória de Cristo, da Mãe de Deus e dos Santos; também para os vivos e os mortos. Para maior conveniência a patena agora é feira com um pedestal. Pertencem à patena dois pequenos pratos ou bandejas. Num desses pratos é colocado o pão do qual foi tirada uma porção em memória de Cristo: o topo desse prato é estampado no meio com uma Cruz, enquanto ao redor da borda do prato há a inscrição: "Diante da Tua Cruz nós nos prostramos, ó Mestre." No outro prato é colocado o pão do qual foi tirada uma porção em honra da Mãe de Deus; é o prato, estampado com a efígie da Theotokos e a inscrição ao redor da borda diz: "É verdadeiramente digno que te bendigamos, o Theotokos."

O Asterisco, consistindo em duas chapas metálicas (normalmente douradas) dobradas, presas por um parafuso, de maneira que, elas podem ser postas juntas, ou viradas assumindo a forma de uma Cruz. É colocado sobre a patena, para evitar que os pedaços de pão que foram postos numa certa ordem venham a se misturar.

A lança. Uma faca com forma de lança, com duplo fio, usada para tirar porções do pão.

O Cálice ou Poterion ("vaso para beber"), no qual é colocado vinho misturado com água durante a preparação do Sacramento. A ele pertence um galheteiro, no qual são apresentados o vinho e a água.

A Colher, com a qual os Santos Sacramentos — Corpo e Sangue de Cristo — são dados aos que comungam.

A esponja, que é usada para limpar os santos vasos depois da Liturgia. Em nossa Igreja são usadas duas esponjas. Com uma é limpa a patena, depois que as porções do pão foram jogadas no cálice: essa esponja é mantida no altar no Antimension e chamada de "esponja do Antimension." A outra, que é usada para limpar o cálice depois que ele foi lavado, é mantida na Mesa de Oblações, e é chamada "esponja de limpeza."

Os Véus - um dos quais cobre a patena, outro o cálice, e um terceiro cobre a patena e cálice juntos — são usados para proteger os Santos Dons de poeira e insetos. Esses véus são chamados de Aërs, porque eles cobrem os Santos Vasos usados como o ar cobre a terra; o véu maior é conhecido especialmente por esse nome.

Os abanadores são usados para afastar os insetos dos Santos Dons, quando os véus são removidos. Nos tempos antigos usava-se fazer os abanadores com penas de pavão, linho ou couro fino. No presente eles são feitos de metal, na forma de um círculo, algo como a glória ao redor da cabeça de um santo, e com um longo cabo; no meio do círculo é representado um Querubim. Esses abanadores são usados principalmente nos ofícios pontificiais, e são para nos lembrar que os Querubins adoram Deus conosco diante de Seu altar.

 

O Vestiário.

Do lado direito do Santuário é separado um espaço que é chamado de vestuário. Ali são guardados os ossos da Igreja, os livros que são usados na celebração dos ofícios, e as vestimentas daqueles que celebram. Como todos esses artigos são cuidados pelos diáconos, o vestiário é também chamado de diakonnicon. Nos velhos tempos toda sorte de presentes alimentícios para os clérigos costumava ser trazidos para este lugar, tais como arroz ou trigo cozido (kutiá), queijos, ovos, queijos Pascal doce.

 

A Nave da Igreja.

O Santuário, junto com a Prótese e vestiário, são separados do espaço dedicado aos fiéis por uma grade ou parede, que é chamada de Iconostase, (suporte de ícones), porque é decorada com ícones ou imagens sagradas. A Iconostase, tem três portas. As meias portas dobradiças no meio, que conduzem ao Santuário, ao altar, são chamadas de Portas Santas, porque os Santos Dons da Eucaristia são levados para fora do Santuário, através delas, ou porque o Rei da Glória, Jesus Cristo, passa por delas na Sagrada Eucaristia. Essas portas são geralmente decoradas com ícones, que usualmente representam a Anunciação e os Quatro Evangelistas, com seus símbolos e características, para significar que no altar e oferecido o sacrifício para a salvação do gênero humano, as primeiras boas novas da qual foram recebidas pela Virgem Maria do Arcanjo Gabriel, como sabido pelas narrativas dos Quatro Evangelistas. Encostada por trás das Portas Reais fica pendurada uma cortina. Durante os ofícios as Portas Reais são abertas para os celebrantes entrar e sair do Santuário, enquanto a cortina é aberta ou fechada, mesmo quando as Portas reais estão fechadas, para enfatizar certas orações e o significado de certos ritos. Assim durante ofícios penitenciais tais como as completas, o ofício da Meia-noite e as Horas, a cortina permanece fechada, representando que nossos pecados nos levam para longe do céu, de Deus. Durante os ofícios solenes e jubilosos, que asseguram que o Senhor nos salvou, tais como Vésperas e Matinas, a cortina fica aberta. Durante a Liturgia, a cortina permanece aberta a maior parte do tempo. A Porta à esquerda das Portas Reais conduz à Prótese e é chamada "porta nobre," enquanto a que fica à direita conduz ao vestiário e é chamada "porta sul" ou "porta dos diáconos." Nessas duas portas normalmente existem pinturas representando os anjos — os mensageiros de Deus, que ministram para Ele no Reino do Céu — ou diáconos santificados, que na sua vida, se encarregam da Prótese e vestiário.

Além da decoração das portas, a parede inteira que separa o Santuário da nave é decorada com ícones, em uma, duas ou mais fileiras. Tais Iconostases, por isso diferem em aparência: umas são como uma grade com aberturas, variando em altura, ou uma parede sólida indo até o teto. Os ícones da primeira fileira são chamados de "ícones locais." À direita das Portas Reais há sempre um ícone do Salvador, e perto dele o "Ícone da Igreja," isto é, uma representação do Santo ou evento, em honra de quem ou o que a Igreja tem seu nome e é dedicada. Doa lado esquerdo há um ícone da Mãe de Deus. Na mesma fileira, se há espaço, normalmente são colocados ícones dos Santos que são mais venerados em dada colhida. Acima das Portas Reais é usual colocar-se uma pintura da Última Ceia, significando que, participando dos Santos Sacramentos de Cristo, os homens são tornados dignos de entrar no Reino do Céu. A segunda fileira é o lugar para a apresentação de diferentes festas da Igreja, isto é, dos principais eventos das vidas de Nosso Senhor e sua Mãe. A terceira fileira contém os ícones dos Apóstolos e no meio deles, logo acima da Ultima Ceia, há uma representação de Jesus Cristo — o assunto da pregação deles — em vestes reais ou episcopais, como Sua Mãe à direita e o Precursor à esquerda. Tal apresentação de Cristo, leva o nome especial de Deisis* . Se existir uma quarta fileira, é preenchida com ícones dos Profetas do Velho Testamento e no meio deles fica a Mãe de Deus com a Divina Criança. Uma quinta e sexta fileiras terão ícones de santos mártires e bispos santificados. O topo da Iconostase é adornado com a cruz, que tem a efígie de Jesus Cristo crucificado. Uma Iconostase decorada dessa maneira traz para diante de nós todos os moradores do céu e serve como um livro, do qual mesmo aqueles que não conseguem ler podem aprender a história da Igreja de Cristo e sua doutrina.

A Iconostase não se levanta no limite do chão levantando do santuário, assim essa parte mais alta projeta-se na nave. A parte dessa plataforma em frente da Iconostase é chamada de Soléas (o que significa "lugar elevado"). Nessa elevação ficam os Cristãos para receber a Santa Comunhão, e os celebrantes saindo do santuário postam-se ai enquanto falam as orações publicas e falam coisas instrutivas ou lêem pedaços das Escrituras. De ambos os lados são colocados os leitores e os cantores. O meio da plataforma bem em frente das Portas Reais, onde é dada a Santa Comunhão, e orações são ditas, é chamado Ambo, que significa Elevação, e o lugar separado de cada lado para os leitores e cantores é chamado kliros. A palavra significa lotes. Esses lugares são chamados assim porque nos primórdios da Igreja os leitores e cantores eram escolhidos por lotes.

Perto de cada kliros são mantidos os ícones portáteis que são usados nos ofícios divinos fora da Igreja. Eles são ligados a longos cabos, as vezes por argolas, mais freqüentemente por cordas, e tem a forma de estandartes. De fato são chamados de estandartes, pois eles representam os estandartes da Igreja, sob os quais Cristãos, sendo os guerreiros do Reino de Cristo, vão para a luta com os Inimigos da verdade e amor. O espaço em frente ao soleas é reservado para os fieis; as paredes, assim como os pilares que suportam as cúpulas, são decorados com Ícones e pinturas representando eventos da historia da Igreja de Cristo.

Na direção oposta das Portas Reais, no lado oeste da Igreja, há uma porta de entrada conduzindo ao vestíbulo, é chamada de "porta bonita," porque normalmente é ricamente decorada — também chamada simplesmente de "porta da igreja," porque ela conduz à Igreja. Em Igrejas grandes há outras portas menores nos lados sul e norte da Igreja; através delas os fieis podem ir para os vestíbulos laterais e os pórticos.

 

Vestíbulo e Pórtico.

O vestíbulo é dividido em duas partes, a interna e a externa, essa ultima sendo chamada o "Pórtico." O pórtico interno, usado nos tempos antigos, para separar os catecúmenos — pessoas que desejavam tornar-se Cristãs, estavam recebendo instrução e preparando-se para o batismo — e para penitentes, Cristãos que por seus pecados, não podiam comungar. No vestíbulo era colocada a fonte para a realização do batismo; nesse local, os Cristãos costumavam também, comer seus alimentos numa mesa comum depois da Liturgia. Em alguns mosteiros, o vestíbulo hoje em dia serve de refeitório. É nos vestíbulos que a Igreja ordena os ofícios penitenciais serem celebrados, para mostrar claramente que os homens afastam-se muito de Deus pelos seus pecados e tornam-se indignos de permanecer com seu povo. No vestíbulo externo ou pórtico os "choradores" costumavam ficar nos tempos antigos — uma classe de penitentes que era proibida de entrar na Igreja, e dali imploravam as orações daqueles que entravam na Igreja. No oriente, ofícios funerários sobre o corpo de Cristãos que partiram são realizados no pórtico.

 

Artigos Para os Serviços Divinos.

Lamparinas, Candelabros e Castiçais.

Em todas as Igrejas, no altar e na Mesa de Oblações, também através do altar e em frente dos ícones, luzes são mantidas queimando, não só durante os ofícios vespertinos ou noturnos, mas também durante ofícios diurnos. Elas significam que o Senhor dá a luz da verdade, e que nossas almas ardem com o amor de Deus e são penetradas com sentimento de alegria e devoção. É bem de acordo com esse conceito que a Iluminação da Igreja é aumentada durante os ofícios solenes de dias santos e diminuída durante os ofícios penitenciais.

Para a iluminação de uma Igreja, duas coisas são necessárias: óleo e cera. Óleo (produzido pelo fruto da oliveira), simboliza graça, indicando que o Senhor derrama Sua graça sobre os homens, enquanto os homens por seu lado estão prontos a oferecer a Ele, em sacrifício dons de misericórdia. A cera pura, colhida pelas abelhas de flores perfumadas, é usada significando que as orações oferecidas por um coração puro são aceitas por Deus.

Dos castiçais e candelabros usados na Igreja, alguns são portáteis e alguns estacionários, todos variando no numero de velas ou lamparinas que eles tem. Os castiçais são sempre portáteis e levam uma, duas ou três velas. Uma vela nos lembra que há um só Deus, Que é a Luz Eterna.; o castiçal com duas velas é chamado Dikirion ("duas velas"), e indica que em Jesus Cristo estão unidas duas naturezas — a divina e a humana; o de três velas é chamado Trikirion ("três velas"), e alude, as três pessoas da Divindade. Há candelabros estacionários em pé ou suspensos, em frente aos ícones, segurando tanto velas quanto lamparinas. Esses são chamados de candily ou lâmpadas e leva uma só vela; polycandils ("muitas luzes"), se eles levam sete ou doze velas (sete velas em alusão aos setes dons do Espírito Santo, e doze em alusão aos Apóstolos); finalmente panicandils ("todas as luzes") são aqueles que levam mais de doze velas. Às vezes, se um panicandil é feita na forma de circulo, guarnecido com velas, ele é chamado khoros, que significa "círculo," "assembléia."

Incenso.

Além das lâmpadas, castiçais e candelabros, com suas velas e pavios acesos, um item importante dos ofícios divinos é a queima e balanço do incenso (resina perfumada de árvore). Esse balanço é executado às vezes diante do altar e dos ícones; então ele expressa o desejo dos fieis que suas orações subam ao Céu, como a fumaça do incenso vai para o alto. Às vezes o incenso é balançado na direção dos fiéis; ele expressa então o desejo do celebrante que a graça do Espírito Santo abranja as almas dos fiéis como a nuvem perfumada do incenso os envolve. O vaso que contem o incenso é chamado de turíbulo; ele é uma taça com uma cobertura presa por três finas correntes, que são unidas em uma só no topo.

 

Toque dos Sinos

Toda Igreja tem sinos. Eles são colocados ou o telhado ou no interior das cúpulas, ou na entrada acima do pórtico, na assim chamada "câmara dos sinos," ou ainda próximo da Igreja em estruturas especialmente erigidas chamadas campanários. Se a câmara de sinos é feita na forma de uma torre alta acima do pórtico, então é também chamada de campanário.

Os sinos são usados pra chamar os fiéis para os ofícios divinos, para expressar o triunfo da igreja, e para anunciar os principais atos do ofício para aqueles Cristãos que não estão presentes, para que eles possam se juntar mentalmente às orações comuns dos fiéis. Há três maneiras de tocar os sinos, de acordo com o objetivo para o qual ele é tocado:

    1. Um sino é tocado várias vezes com intercalos curtos. Isso é feito antes do começo do ofício, para anunciar que ele está para começar. Do mesmo modo é anunciado o momento da Liturgia quando o Santo Mistério está realizado, e às vezes a leitura do Evangelho em outros ofícios. Onde existem muitos sinos, diferentes sinos são usados em diferentes dias, e eles têm diferentes nomes — tais como "sino festivo," "sino de domingo," "sino de dia de semana," "sino pequeno."
    2. Vários sinos são tocados juntos três vezes, em um "dobre" (em russo, trezvon). Isso é normalmente feito no início de ofícios solenes (Liturgia, Vésperas, Matinas), depois do toque inicial em 1. Nos dias de festa importante os sinos são tocados desse modo o dia todo.
    3. Todos os sinos são tocados um por vez, e depois de todos terem sido tocados assim duas ou três vezes, eles são tocados juntos. Isso é chamado carrilhão, e é reservado para ocasiões especiais, tais como trazer para fora a Cruz e o Sepulcro na Sexta-Feira Santa e durante procissões.

 

As Pessoas Realizando os Ofícios

 

 

O Clero.

As pessoas que tomam parte na realização dos ofícios divinos são divididos em celebrantes e servidores da Igreja. Só são chamadas de celebrantes as pessoas que receberam a graça do Espírito Santo, através do Sacramento das Ordens: elas são, os bispos, os presbíteros e os diáconos.

O primeiro e mais elevado grau do sacerdócio pertence ao bispo (Episcopos, que significa "o que vê além"). Esse nome é dado para o sucessor dos Apóstolos no serviço e governo da Igreja; como o respeito aos ofícios divinos públicos, os bispos são os chefes ou cabeças de todas as Igrejas situadas em suas dioceses. Eles dedicam Igrejas, consagram Antimension, dão autoridade para a celebração de ofícios nessas igrejas, e apontam todos aqueles que tem qualquer cargo nelas. Durante os ofícios do Espírito Santo é concedido aos homens, abençoam os Cristãos com as duas mãos, e em sua capacidade de professores chefes e iluminadores dos fiéis, eles também os abençoam com velas acesas — o Dikirion e Trikirion. Quando dando a benção eles compõem os dedos da mão direita de modo a formar o nome de Jesus Cristo em grego. Para fazer isso o dedo indicador é mantido esticado e o dedo médio levemente dobrado, representando as letras "IC"; então o dedo anular é dobrado, o dedão é colocado atravessador nele, o dedo mindinho é levemente inclinado, formando as letras "XC." Esse modo de compor os dedos é chamado nominal Em sua capacidade de chefe sobre os presbíteros, de outro lado chamado ieréi, o bispo também tem o nome de Arch-ierens. Todos os bispos são iguais entre si, devido a graça comum do seu sacerdócio, Mas como os distritos sujeitos a jurisdição deles diferem em tamanho e importância, com relação aos reinos e impérios terrestres, há graus nos títulos dos bispos: aqueles encarregados somente de pequenos distritos ou cidades são chamados simplesmente de bispos ou Archiérei. Aqueles cuja jurisdição extende-se sobre cidades maiores ou provinciais ultimamente passaram a assumir o título de "Arcebispos" (ou seja, chefe ou primeiro entre os bispos); o bispo de uma cidade que é capital, de outro lado chamado de "metrópole," é intitulado "Metropolita"; os bispos de antigas capitais do Grande Império Romano (Roma, Constantinopla, Antioquia) e de Jerusalém — as cidades das quais a fé Cristã se espalhou pelo globo — receberam o título de "Patriarca" (que significa "chefe dos pais"). Um bispo às vezes tem um assistente, que é também um bispo; esses bispos subordinados são chamados de "Vigários," isto é, que é também bispo; esses bispos subordinados são chamados de "vigários," isto é, "lugares tenentes." Em alguns paises, como por exemplo, na Rússia, as Igrejas são governadas por uma assembléia de vários bispos; tal assembléia é conhecida pelo nome de "Sínodo."

O segundo grau de sacerdócio ordenado é ocupado pelos irréi ou presbíteros, que pela autoridade e benção de seus bispos, governam pequenas comunidades Cristãs, chamadas de "paróquias," e tem a seu encargo as Igrejas paroquiais. Eles abençoam o inicio de todo ofício divino público, realizam todos os sacramentos com exceção da ordenação, e tem sob sua supervisão todas as pessoas que tem qualquer serviço nessas Igrejas. Eles também direito de dar a sua benção em nome do Senhor para os que lhes são inferiores no grau espiritual, mas só com uma mão. Todos os presbíteros são iguais quanto a graça do sacerdócio; mas há diferenças entre lês, de acordo com a importância das Igrejas e paróquias dadas a seus cuidados. Alguns são chamados simplesmente presbíteros ou ierréi; outros recebem o título de "arciprestes" ou protoiréi (isto é, primeiro, ou sênior presbítero); arciprestes tem a precedência quando eles realizam ofícios juntos com o presbítero de grau menor. Presbítero que fizeram os votos monásticos são chamados de hieromonges, que significa "padre-monge."

O diácono tem o terceiro grau do sacerdócio. "Diácono" significa "ministrador." Ele ministra para o bispo e para os presbíteros na realização dos sacramentos, mas não pode realiza-los ele mesmo; e assim não tem o direito de abençoar em nome do Senhor. Nos Ofícios públicos divinos, ele mesmo, e assim não tem o direito de abençoar em nome do Senhor. Nos ofícios Divinos, ele, pela benção do presbítero recita as orações comuns, lê trechos da Sagrada Escritura,e observa se os fiéis se comportam decorosamente! No grau de sua ordenação todos os diáconos são iguais; no entanto existem diferentes graus entre eles. Os diáconos seniors das Igrejas principais são chamados protodiáconos e tem precedência quando eles celebram com outros diáconos; e o principal diácono ligado a pessoa de um bispo recebe o título de arcediago. Se um diácono e também um monge ele é chamado de hierodiacono.

Servidores da igreja (clérigos e acólitos) são pessoas indicadas para certos serviços em uma Igreja usada como local de louvação. A mais a alta posição entre eles é a de "subdiácono" ou hypodiacono; eles assistem nos serviços pontificiais e por isso são encontrados principalmente nas Igrejas Catedrais. Depois deles vem os leitores e membros do coro também chamados de "clérigos" e "leitores de salmos," e os sacristãos ou guardadores das portas. Parte da obrigação desses últimos é manter a Igreja ordenada e limpa e tocar os sinos. Durante os ofícios eles levam para fora os castiçais e o turíbulo, e quando eles terminaram esse serviço, eles tomam parte na leitura e canto. Todos os servidores juntos formam o "staff da Igreja" porque eles estão ligados à Igreja. Eles são também chamados "clérigos," ou coletivamente, o klyros, mas então seria melhor serem todos juntos chamados de "clero," e dividido em "maior" e "menor." O Clero maior inclui os celebrantes — bispos, presbíteros e diáconos; o menos inclui os servidores da Igreja.

 

As Vestimentas.

A Antiguidade das Vestimentas. — Nos primeiros tempos do Cristianismo, pessoas que serviam na igreja usavam vestir, enquanto realizavam o serviço divino, o mesmo tipo de roupas usadas pelos leigos. Mas um sentimento de reverência incitou-os a aparecer na louvação comum com trajes festivos e limpos. A cor favorita para tais ocasiões era o branco, levando em consideração que o serviço para a Igreja demanda santidade e pureza. As roupas para os celebrantes eram providenciadas pela comunidade; elas eram mantidas em lugares secretos e dadas para os celebrantes quando eles se preparavam para o ofício. Essa é a origem das vestimentas de Igreja ou santas vestes. Com o correr do tempo o corte das roupas dos leigos mudou; vários povos adotaram novas modas; só o corte das vestes da igreja, usadas enquanto celebrando os ofícios Divinos, permaneceu inalterado e universalmente o mesmo, tendo vem vista a unidade e a imutável natureza da fé e como uma alusão às qualidades demandadas dos ministros da Igreja. Todas essas vestes eram, desde os primeiros tempos, decoradas com Cruzes, para distingui-las das vestes comuns.

O Esthicarion ou Túnica Alva. — A veste universal usada por todas as nações antigas, homens e mulheres igualmente, era o Chiton, de outra forma chamado de túnica ou Esticharion, uma veste longa com mangas e que ia até o chão. Essa veste permanece comum a todas as classes de pessoas ordenadas, com a pequena diferença que a túnica do diácono tem magas largas, enquanto a do presbítero e a do bispo tem mangas justas nos braços. Pela brancura brilhante essa veste lembra ao celebrante que a graça do Espírito Santo cobre a Ele com a veste da salvação e alegria, e reveste-o com beleza. Em nossos dias, os membros do baixo clero também estão autorizados a usar essa veste.

Orarion e o Epitrachelion. — Outra peça indispensável da roupa de todo homem era a tolha ou faixa, que todos usavam, e jogada sobre um ombro e às vezes sobre os dois. Os pobres usavam-na para secar sua boca e face depois nas abluções; enquanto homens ricos, de nível, que tinham escravos para carregar suas toalhas, usavam a faixa que eles consideravam um ornamento, e assim feita de material rico e às vezes decoradas com pérolas e pedras preciosas. Tal faixa era chamada Orarion. O Orarion — ou estola permaneceu como uma das vestes sagradas, para ser usada por todas as classes de pessoas ordenadas, considerando que a graça do Espírito Santo flui para elas abundantemente. Diáconos usam o Orarion sobre o ombro esquerdo e só em certas ocasiões coloca-no em volta do tronco cruzado.O Orarion é a peça principal da veste do diácono, e sem ele p diácono não pode celebrar nenhum ofício nunca. Segurando uma ponta do Orarion com sua mão direita, ele a levanta, quando ele convida a congregação a iniciar as orações e a ouvir atentamente; também quando ele recita orações. Nos velhos tempos, os diáconos costumavam secar os lábios dois comungantes com o Orarion depois que eles tinham recebido a Eucaristia. Porque os diáconos ministram na terra ao redor do altar do Senhor como os anjos circundam o Senhor nos céus, assim, em alusão a isso, o hino angélico: "Santo, Santo, Santo é o Senhor Sabaoth!!!" Antigamente usava ser bordado no Orarion. Presbíteros e bispos usam essa peça sobre ambos os ombros, de maneira a que ela da a volta em seus pescoços e desce ela frente em dois pedaços que por conveniência são ou costurados ou abotoados juntos. Por essa maneira de usar, o Orarion ou estola dupla do presbítero tem o nome de Epitrachélion, que significa "o que é usado ao redor do pescoço." Presbíteros e bispos então usam o Orarion em ambos os ombros por conta de terem recebido a graça adicional do sacerdócio e se devotarem completamente para a Igreja. Dos servidores da Igreja somente os subdiáconos usam o Orarion, cruzado sobre os ombros ou atado embaixo de um dos ombros.

Os Manípulos, ou Punhos, e a Zona ou Cinto. — A costume muito antigo também pertencem os Manípulos — um tipo de punhos, embaixo dos quais os homens costumavam juntar no punho as mangas largas do chiton ou túnica — e a zona ou cinto que eles cingiam à cintura, quando se preparavam para qualquer trabalho ou saiam em viagem. Manípulos ainda permanecem um atributo de todos os graus do sacerdócio, como uma indicação que um ministro da Igreja deve esperar, não ser sua própria força, mas do auxílio de Deus. O cinto é usado só por presbíteros e bispos, e serve para lembra-los que Deus reforça-os com sua própria força, coloca-os no caminho da justiça, e ajuda-os a ascender à altura da santidade com a velocidade dos cervos.

O Phelidon ou Capa e o Saccos. — Sobre o chiton ou túnica os antigos costumavam usar uma veste chamada Phelónion. Era longa, larga, sem mangas, envelopando a pessoa toda, e deixando só uma abertura para a cabeça. Pessoas pobres faziam essa peça de algum material espesso, grosseiro, e usavam-na só para viajar para proteger do frio e do mau tempo. Os ricos usavam a mesma peça, feita de material macio de modo que não era só uma proteção em viagem, mas um manto ornamental. Era feito de maneira a permitir que o usuário tirasse as mãos para fora e as usasse. Para esse efeito existiam anéis sobre os ombros para deixar ambas as mãos livres, ele apresentava o aspecto de duas bolsas das quais a grande até embaixo atrás e a outra, menor, em frente. O Pholenion tem sido preservado como uma das peças de vestimenta dos presbíteros, tendo em conta que eles são investidos com a verdade, e são defendidos por ela de todas as iniqüidades que os cercam, e conseqüentemente deveriam ser ministros da verdade. Em Igrejas orientais o phelonion, ainda é feito segundo o modelo antigo, de igual comprimento na frente e atrás. Mas nas Igrejas russas, onde essa peça de roupa é feita dos mais ricos tecidos, de ouro e prata que seria difícil enrolar nos ombros, ele é cortado na frente, sendo muito mais curto que atrás. O Phelonion é usualmente chamado simplesmente de "manto" (ríza).

Por muitos séculos o Phelonion foi usado também pelos bispos. Mas quando a fé cristã se tornou predominante, os Imperadores gregos concederam aos principais bispos — os Patriarcas — o direito de usar a Dalmáticas — uma roupa como uma túnica curta com mangas curtas, ou meia manga, - usada só por eles e os grandes do Império . Os bispos adotaram essa roupa, não como um adorno mundano, mas como um lembrete de que eles devem se elevar para a santidade dd vida, e chamaram a roupa de saccos, que significa uma "roupa de saco," ou "roupa de humildade." Com o correr do tempo, o saccos tornou-se comum a todos os bispos, e eles agora o usam em lugar do Philenion.

O Omophorion. — Nos tempos antigos pessoas idosa ou com saúde fraca usavam em seus ombros, por cima do Phelenion, para manter-se quentes, uma pele de ovelha, que era chamada omophorion, isto é, "coberturas de ombros." Alguns bispos, especialmente os mais idosos, usavam a pele de ovelha mesmo durante os ofícios divinos, colocando-a de lado nos momentos mais solenes. Logo o Omophorion foi acrescentado às vestes da Igreja, como uma peça distintivamente pertencente aos bispos. Inicialmente foi feito de pele de ovelha, depois de lã branca mas hoje em dia é do mesmo material que o resto das vestimentas. É uma faixa longa e larga, adornada com cruzes e colocada nos ombros do bispo de modo que uma ponta desce pela frente e a outra por trás. Essa vestimenta lembra o bispo que ele deveria pensar na conversão dos desviados, como um pastos misericordioso, que coloca a ovelha perdida sobre seus ombros.

A Mitra, a Calimáfia ("Kamilavka") e a Scufia. — Os antigos usavam na cabeça uma longa faixa de linho, que era enrolada em volta da cabeça e chamada de "banda da cabeça" ou "faixa." De acordo com a posição e riqueza do usuário, essa faixa diferia em material e forma. Primeiramente só Patriarcas adotavam a faixa durante os Ofícios Divinos; mas com o correr do tempo ela tornou-se parte das vestes sagradas de todos os bispos. Hoje em dia, arquimandritas, protopresbíteros, arciprestes, e alguns presbíteros têm o direito de usar algo na cabeça durante os ofícios divinos. O de bispos, arquimandritas e protopresbíteros é chamado mitra (que significa "banda de cabeça"); o dos presbíteros é chamado, de um tipo calimáfia — Kamilavka , e de outro tipo scufia. Alguns arciprestes também podem usar uma mitra. A palavra kamilavka significa ou "algo feito de pelo de camelo" ou "algo que protege contra o calor";enquanto scufia significa "algo parecido com uma taça ou crânio."

 

O Epigonation ou "Palitsa" e o "Escudo da Coxa" ("Nabedrennik"). — Nos tempos antigos pessoas que ocupavam posições importantes nos exércitos e nas cortes usavam espadas de diferentes tipos, e sob elas, suspensos do cinto, protetores de joelhos, que também variavam em forma. Eles eram quadrados, ligados ao cinto por duas cordas ou fios, ou menores na forma de losango, ligados por um fio. Os protetores de joelho do segundo tipo — epinogation (em russo pálitsa). Esses artigos, bem como as armas que repousavam neles, eram sinais de distinção conferidos a servidores do Estado. Os Imperadores gregos depois de se tornarem Cristãos concederam aos bispos e a poucos presbíteros o direito de usa-los sem as espadas; assim eles foram acrescentados às vestes da Igreja como sinal de distinção. Aqueles que receberam o direito de usar o "protetor de coxa" sozinho suspendiam-no do lado direito; se o epigonation era acrescentado, ele era usado do lado direito e o protetor de coxa do lado esquerdo. Os presbíteros e bispos para quem esses sinais de distinção são concedidos, usam-os como uma lembrança de que eles receberam a espada espiritual — a Palavra de Deus, com a qual eles devem destruir tudo que é impuro e vicioso.

Para recapitular. — A túnica ou sthicarion é a roupa do leitor; a do sub-diácono é a túnica com o orarion ou estola, sempre enrolado na pessoa; diáconos têm a túnica, a estola e o phelonion ou manto externo; e alguns têm, em acréscimo, o "protetor de coxa," o epigonation, a calimáfia, e a scufia. As vestes de um bispo são: a túnica, o epitrachelion, o cinto, os punhos, o protetor de coxa, o epigonation, o saccos, o omophorion e a mitra.

A Cruz Peitoral, a panagia, o Báculo e os Tapetes de Águia (Orlets). — Esses itens fazem parte das atribuições especiais e adornos dos bispos nos dias presentes.

Eles usam uma Cruz no peito, por fora de seus mantos, em lembrança de que eles não deveriam meramente carregar Cristo em seus corações, mas também confessa-lo na face de todos os homens, isto é, que eles devem ser pregadores da fé de Cristo. Tais Cruzes, ornamentais de várias maneiras, são dadas também como sinal de distinção para todos os arquimandritas, e para vários arciprestes, e presbíteros.

A panagia ("que significa toda santa") é uma imagem redonda ou oval do Salvador ou da Mãe de Deus, não grande, mas ricamente decorada, que os bispos usam no peito. Também é dada para alguns arquimandritas. Nos tempos antigos as panagias eram feitas em formas diferentes — como um díptico dobradiço, redondo ou quadrado, tendo de um lado a imagem da Virgem, e do outro lado a do Salvador ou da Santíssima Trindade. Existia também um receptáculo para guardar partículas de santas relíquias.

O Báculo ou bastão pastoral é hoje em dia usado por todos os bispos por conta deles serem pastores do rebanho de Jesus Cristo e deveriam cuidar dele como um pai de seus filhos. Por essa razão o báculo é também chamado paterissa (da palavra grega pater, "pai"). O báculo episcopal tem um ganho duplo no topo e acima do gancho uma Cruz. O gancho duplo é normalmente feito como cabeças de serpente em ambos os lados, em memória das palavras do salvador: "Sede sábios como as serpentes." Como a serpente se renova anualmente, retirando sua pele velha forçando-se através de plantas espinhentas, assim o bispo, enquanto guiando seu rebanho deve seguir ele próprio e conduzir outros ao longo do caminho da iluminação e renovação, apesar das angustias e sofrimentos. Abaixo dos ganchos, um pedaço de algum tecido elegante é amarrado, como um ornamento, e para tornar mais agradável de manusear o báculo.

Os Orléts (tapetes de águia), são tapetes ovais ou redondos, pequenos onde está representada uma águia; com uma glória ao redor da sua cabeça, voando acima de uma cidade. Durante os ofícios divinos, o bispo fica em cima desses tapetes, como uma lembrança que ele deveria, por seu ensinamento e sua vida, elevar-se acima de seu rebanho, e ser para ele um exemplo de uma alma aspirando das coisas da terra para as coisas do céu.

 

 

Louvação Pública.

 

Os Três Ciclos.

A louvação pública consiste em várias coleções de orações, ou ofícios da Igreja. Todos esses ofícios são adaptados para as vinte e quatro horas do dia. Eles expressam nossa lembrança de eventos que aconteceram em certas horas do dia, e contem petições adaptadas a essas memórias.

 

O Ciclo Diário.

Nos tempos antigos, os dias eram contados a partir do anoitecer. Às seis horas da tarde (pm) como contamos hoje em dia, a noite começava, e era dividida nas seguintes quatro partes ou vigias (tempos de troca de sentinelas): anoitecer (das 6 às 9 da noite); meia-noite (de 9 as 12); canto do galo (12 ás 3 da manhã), e manhã (das 3 às 6). O dia começava às 6 da manhã pela nossa contagem, e também era dividido em quatro vigias ou horas: a primeira hora ( 6 ás 9); a terceira hora (9 as 12), a sexta hora (12 as 3), e a nona hora (3 às 6). Os Cristãos começavam cada parte do dia por orações comunitárias. Isso resultou em oito ofícios: Vésperas, Completas, Ofício da Meia-noite e Matinas para noite; e ofícios da Primeira (Prima), Terceira (Tércia), Sexta, e Nona Hora para o dia. Além desses, para cumprir o comando de Cristo de partir o pão em memória Dele, os Cristãos celebram todo dia a Liturgia, ou, se não a Liturgia, a Typica, também chamada de "Ofício Pró-Liturgia." Assim era formado um ciclo diário de nove ofícios.

 

O Ciclo Semanal.

Todo dia da semana é consagrado a certas memórias especiais, como segue: Domingo, para Cristo ressuscitado dos mortos; Segunda-feira, para honrar os santos Anjos; Terça-feira, para memória dos Profetas e, entre eles, o maior entre todos os Profetas, João o Precursor; Quarta-feira é consagrada para a Cruz de Cristo, porque é p dia da traição de Judas; Quinta-feira, para a memória dos Apóstolos e todos os bispos santificados, e entre eles, Nicolau o Bispo de Mira em Lícia; Sexta-feira, para a Cruz, sendo o dia da Crucificação; Sábado, aos santos, especialmente à Mãe de Deus, e à memória de todos aqueles que morreram na esperança da ressurreição e da vida eterna. A rememoração desses eventos e pessoas é feita por certos hinos e orações, diferentes ara cada dia da semana, que entram no ciclo diário fixo de ofícios. Além disso, os ofícios de sábado e especialmente aqueles de domingo são celebrados com maior solenidade, sendo ofícios de dias festivos; enquanto os ofícios de Quarta e Sexta feira são consagrados à penitência, e são acompanhados por jejuns severos ao longo do ano todo, com exceção de seis semanas no ano, quando os jejuns são suspensos em honra de memórias especiais. Essas semanas são chamadas de semanas completas, porque elas não são interrompidas por jejuns. Elas são as duas semanas depois do Natal, a semana do Fariseu e do Publicano, a semana antes do começo da Grande Quaresma, a semana que se segue à Páscoa, e a que se segue ao Pentecostes. Essas são as peculiaridades de cada dia da semana, e assim é formado o ciclo semanal de ofícios.

O Ciclo Anual.

Todo dia de todo mês, todo dia do ano é consagrado à memória de certos eventos ou de diferentes santos. Em honra de cada dado evento ou pessoa, hinos especiais, orações e ritos foram estabelecidos, e foram acrescidos aos hinos e orações para o dia da semana, introduzindo mais novas características na rotina fixa dos ofícios diários — características que mudam em cada dia do ano. Isso forma o ciclo anual de ofícios.

 

Festas.

No ciclo anual, as maiores modificações nos ofícios ocorrem nos dias de grandes festas e nas quaresmas. De acordo com os sujeitos nos ofícios, os dias de festa são divididos em festas de Nosso Senhor, festas do Próprio Deus, festas da Mãe de Deus e festas de Santos, em louvor de santos anjos e santos homens. De acordo com a solenidade dos ofícios, as festas são divididas em grandes, médias e menores; de acordo com o intervalo de celebração, em fixas, ou seja, retornam periodicamente na mesma data do mesmo mês em cada ano, - e móveis, ou seja, que ocorrem no mesmo dia da semana anualmente, mas em diferentes dias ou mesmo diferentes meses, seguindo os movimentos da Festa na Páscoa.

 

A Festa Pascal.

Sendo o dia da Ressurreição de Nosso Senhor, é a festa das festas. Além dessa festa existem mais doze, algumas fixas, outras móveis, que são distinguidas com ofícios de solenidade especial. São chamadas as Doze Festas. Delas, algumas forma estabelecidas em honra do Senhor, outras da Mãe de Deus. As primeiras são: A Natividade de Cristo (Natal), 25 de dezembro; Teofania (Epifania), 6 de janeiro; Transfiguração , 6 de agosto; Entrada em Jerusalém (Domingo de Ramos), o Domingo antes da Páscoa; a Ascensão, na Quinta feira, o quadragésimo dia após a Páscoa; Pentecostes, em comemoração da Descida do Espírito Santo sobre os Apóstolos, no Domingo, o Qüinquagésimo dia depois da Páscoa; e o dia da Exaltação da Santa Cruz, em memória do encontro e levantamento ("exaltação") para adoração pública da Cruz na qual Cristo foi crucificado, 14 de setembro, Sua Entrada no Templo, 21 de novembro; o Encontro do Senhor, 2 de fevereiro; a Anunciação, 25 de março; e a Dormição da Mãe de Deus (Assunção) 15 de agosto *** . Existem dias precedendo e seguindo cada uma das doze festas, durante as quais os hinos pertencentes à festa são cantados em todos os serviços. Além e acima disso, o dia que se segue a muita das doze festas é consagrado à memória das pessoas que tomaram parte no evento que a festa comemora. Assim o dia seguinte à Natividade de Cristo é chamado de "Synaxis da Virgem," ou seja, a congregação se reúne para honrar a Mãe de Deus; no dia que se segue à Epifania há um serviço em honra de São João Batista; o dia depois do Pentecostes, em honra do Espírito Santo; o dia depois da Natividades da Virgem, em honra de seus pais, São Joaquim e Santa Ana; o dia depois da Anunciação é chamado de "Synaxis do Arcanjo Gabriel"; o dia depois da Apresentação do Menino Jesus, de "Synaxis de S. Simeão e Profetizada Ana."A Igreja prepara para algumas das festas por jejuns e orações especiais para os mortos.

A essência dos hinos para as várias festividades é contida nos troparion — ou verso — do dia. Troparion para a Natividade da Virgem: "O Teu Nascimento, ó Virgem Theotokos, anunciou a alegria a todo o universo, pois de Ti nasceu o Sol da Justiça, o Cristo Nosso Deus, Que, levantando a maldição, nos abençoou, e destruindo a morte nos deu a vida eterna" — Troparion para a entrada da Virgem no Templo: "E hoje o prólogo da benevolência de Deus e a proclamação antecipada da salvação dos homens. A Virgem mostra-se abertamente no Templo de Deus, e anuncia Cristo, antecipadamente a todos. Clamemos-lhe também em voz forte: Salve, ó Realização do plano do Criador! — Troparion do encontro do Senhor: "Salve, ó cheia de graça, Virgem Mãe de Deus, pois de Ti Se levantou o Sol de Justiça, o Cristo Nosso Deus, iluminando aqueles que estão nas trevas. Rejubila também, justo Ancião, que recebeste nos teus braços Aquele que libera as nossas almas e nos dá a Ressurreição."

Combinação dos Ofícios

Nos tempos antigos, especialmente em mosteiros, todos os ofícios do serviço divino eram realizados separadamente, nas horas indicadas para eles. No tempo presente eles são combinados de maneira a se ajuntar em três serviços: o serviço do anoitecer, consistindo nos ofícios de Nona Hora, Vésperas e Completas — serviços matinais, consistindo nos ofícios da Meia Noite, Matinas e Primeira Hora — e serviços do meio do dia consistindo nos ofícios da Terceira e Sexta Horas e Liturgia (celebração da Santa Eucaristia). Nos dias que precedem Domingos ou dias de grandes festas, os serviços do anoitecer e os matinais são juntados em um, que é chamado de Vigília (isto é, "manter-se acordado"), e consiste de Vésperas, Matinais e Primeira Hora. Como em certos mosteiros, esses serviços, começando depois do por do sol, duram até o amanhecer, e sempre contem as orações para o anoitecer e matinais, ele é chamado de Vigília de Toda a Noite.

Se um dia de festa no qual a Liturgia deve ser celerada cai em um dos dias da Grande Quaresma quando normalmente não há Liturgia,a seguinte alteração é feita na distribuição dos ofícios: o serviço matinal consiste no ofício da Meia-Noite, Matinas e Primeira-Hora; o serviço do meio do dia, na Terceira, Sexta e Nona Hora, Typica e Vésperas; e o serviço do anoitecer, Completas.

 

Os Ofícios Diários.

As Vésperas começam com a glorificação de Deus, o Criador do mundo e sua Providencia, e consiste nas seguintes partes: petições colocando nossas necessidades; canto de salmos e hinos, que expressam pesar pela perda da beatitude do paraíso, e arrependimento pelos pecados; orações pela salvação, e expressões de esperança no Salvador. As orações penitenciais são seguidas por um hino de louvação em honra a Cristo, Que veio ao mundo, e então por petições que o Senhor tenha misericórdia de todos os Cristãos e conceda a eles graças espirituais. O oficio termina com o Pai Nosso, um hino de louvor em honra da Mãe de Deus, e a oração do Bem Aventurado São Simeão o Portador de Deus. Assim o oficio de Vésperas é repleto com memórias da Criação, da Queda, da Expulsão do Paraíso e a profunda contrição dos melhores homens, que encontraram seu único conforto na esperança no Salvador e jubilosamente comemoram Sua vinda.

Completas é o serviço que antecede a retirada para repouso. Somo sendo a imagem da morte, esse oficio é permeado com o pensamento da morte, não triste, mas iluminado pela lembrança de Cristo, depois de Sua morte, desceu aos infernos e dele trouxe as almas dos justos que esperavam Sua vinda. Existem a Grande e a Pequena Completas. A primeira consiste em três partes. Na primeira nós damos graças a Deus pelo dia, e expressamos a esperança que Ele nos conceda um sono repousante durante a noite que se aproxima, e repouso depois da morte com os Santos. Esses sentimentos encontram expressões, alem de em todas outras orações no verso: "Deus está conosco, sabei todos os poços e submetei-vos a Ele: porque Deus está conosco" — a segunda parte é penitencial.A essência de todas as orações é expressa no tropário * penitencial que é cantado: "Tem piedade de nós, Senhor, tem piedade de nós, pois pela perda de qualquer defesa, nós pecadores Te oferecemos, Nosso Mestre, tem piedade de nós!" — a terceira parte da Grande Completa consiste na glorificação do Senhor e de Seus Santos. A essência das orações que compõe essa terceira parte está expressa no salmo: "Louvai a Deus em Seus Santos," com o seguinte hino acrescentado: "Ó Senhor das hostes, tem piedade de nós!"

Pequena Completa é uma redução da Grande, consistindo só da terceira parte. Da primeira, só é lido o Credo, e da segunda o salmo penitencial (51) "Tem misericórdia de mim, ó Deus....."

O Ofício da Meia-Noite consiste de orações para serem ditas à meia-noite, em memória das orações de Jesus Cristo, à meia-noite nos jardins de Gethsemane, em imitação dos anjos , que, dia e noite, glorificam o Senhor, e como uma lembrança de que nós deveríamos estar sempre prontos a responder no dia do Julgamento de Cristo, Que virá inesperadamente, com o noivo na noite. O oficio de Meia-Noite consiste de duas partes: a primeira nos lembra por suas orações da Segunda Vinda de Cristo e do Julgamento, proclamando que "Benditos são os inocentes no caminho, que andam na lei do Senhor"; enquanto a segunda parte, contem orações para os mortos. O Ofício de Meia-Noite de Domingo consiste em glorificações da Santíssima Trindade.

Em alguns mosteiros, as orações matinais e vespertinas que todos os Cristãos deveriam ler ao acordar e antes de dormir são juntadas, respectivamente com os ofícios de Completas e Meia-Noite.

Nota: Nos dias que é indicada uma Vigília de Toda Noite, os Ofícios de Completas e Meia-Noite são omitidos, exceto durante a Grande Quaresma, quando a Vigília (em geral) consiste na Grande Completa.

Matinas e Primeira Hora.

Matinas começa com orações para o Tsar, e, depois dessa orações, consiste principalmente em louvores ao Senhor, Que nos deu não só a luz do dia, mas também a Luz espiritual: Cristo o Salvador. Por isso, esse oficio inteiro é cheio de memórias do tempo em que Cristo apareceu na terra, e viveu aqui não reconhecido por aproximadamente todos os homens. O oficio de Matinas é dividido em três partes. A primeira parte consiste no canto de salmos que expressam penitencia e esperança no Redentor, e orações gerais por misericórdia. O cantar de salmos começa com a Doxologia que os anjos cantaram na noite da Natividade: "Glória a Deus nas alturas, paz na terra, e boa vontade para com os homens"; então é interrompida por uma glorificação mais direta da Encarnação de Cristo. "O Senhor é Deus e Ele Se manifestou; bendito aquele que vem em nome do Senhor"; e termina com a glorificação da pessoa ou evento para a memória de quem ou do que o dia é consagrado. A segunda parte é inteiramente consagrada a glorificação do santo do dia ou do evento comemorado nesse dia. Ela consiste de hinos do Velho Testamento que se referem à vida do Salvador, e outros do Novo Testamento, mostrando que as expectativas dos justos de antigamente foram realizadas. A terceira parte consiste de hinos de louvação e orações para a concessão de dons espirituais para os Cristãos.

As Horas, ou ofícios das Horas, é o nome dado para curtos conjuntos de orações recitados nas horas que começam cada uma das quatro vigias do dia, e que para os Cristãos, estão associadas com lembranças especiais. Todos esses ofícios são similares em sua composição. Toda Hora começa com um convite para adorar Cristo e consiste na leitura de três Salmos. Segue-se: o tropário do dia, o Theotokion (um hino em honra à Mãe de Deus), o Pai Nosso, o kontakion * do dia, a oração "Tu Que em todo tempo e em toda hora..." e as orações conclusivas da hora. Mas com toda essa similaridade, o ofício de cada hora difere do outro porque cada hora tem seus salmos próprios e orações conclusivas, para se adaptarem aos eventos comemorados e com os pensamentos, sentimentos e desejos que essas lembranças chamam na alma dos fiéis. O oficio de Primeira Hora comemora a apresentação de Cristo perante Pilatos; o da Terceira Hora comemora o Julgamento de Cristo por Pilatos, o chicoteamento e a ridicularização, e a descida do Espírito Santo sobre os Apóstolos; o Ofício da Sexta Hora comemora Cristo indo para o Gólgota, a Crucificação, os insultos feitos a Ele na Cruz, as trevas que cobriram a terra; enquanto o ofício da Nona Hora comemora a Paixão de Cristo e a morte.

A Vigília de Toda Noite é o nome do serviço composto de Vésperas e Matinas, que é celebrado com grande solenidade, especialmente nas partes consagradas às memórias do dia.

 

 

Grandes Vésperas.

O Início.

O ofício começa com a glorificação da Santíssima Trindade. Com as Portas Reais abertas, a Igreja completamente iluminada, o presbítero, estando diante do altar, diz: "Glória à Santa, Consubstancial, Vivificante e Indivisível Trindade"; então o diácono * * convida três vezes a congregação a adorar Cristo, Nosso Deus e Rei. Em resposta a esse convite, os fiéis — ou o coro em seu lugar ΄começa a cantar o Salmo 104 de Davi, que glorifica Deus, o Criador e Sua Providência: "Bendiz a minha alma ao Senhor! Senhor, Meu Deus, tu és infinitamente grande. De majestade e esplendor Tu Te revestes.... Ó Senhor quão harmonistas são as Tuas obras! Feitas todas com sabedoria ..." O Salmo é concluído com o três vezes cantado "Aleluia" que significa "Louvai ao Senhor," ou "Que o Senhor seja louvado!" Esse salmo começa a série de serviços diários, e é chamado Proemiac, isto é, "Introdutório." As palavras dele induzem os fiéis na condição de suprema alegria do primeiro homem,quando ele, ainda inocente, louvava seu Criador junto com os santos anjos. As Portas Reais abertas nos lembram que o pecado não separou os homens de Deus em nenhum tempo, enquanto a luz das lamparinas e velas e os fumos do incenso simbolizam a luz divina, que iluminou os homens, e a graça do Espírito Santo que os vivificou.

A Grande Ectênia.

Após a glorificação do Criador nas palavras do Salmo Introdutório, curtas petições para a concessão de vários favores são lentamente recitados pelo diácono, e depois de cada petição os fiéis — ou coro — cantam a resposta "Senhor, tem piedade." O conjunto dessas petições é chamado ectênia, de uma palavra grega "extendida," ou "encompridada" (no tempo) Elas começam com o convite: "Em paz oremos ao Senhor" (ou seja, "estamos em paz com todos os homens e concentrado em espírito"), - e consistem em súplicas, "pela paz do alto e salvação de nossas almas (isto é, "Que o Senhor esteja em paz conosco, perdoe nossas transgressões e através disso salvação para nossas almas"); "para a paz do mundo inteiro, o bom estado das santas Igrejas de Deus e a união de todos" (isto é, "Que o Senhor conceda paz para o mundo todo, ajude as comunidades Cristãs a estarem firmes na fé e na piedade, faça com que as divisões entre os Cristãos cesse, e uma todos eles em uma Igreja"); "por esse santo templo (onde o ofício é celebrado), e por aqueles que com fé, reverência e temor de Deus nele entram." Seguem-se então várias suplicas por vários membros da Igreja e do estado"; "pelo Episcopado Ortodoxo da Igreja Russa (ou outra Igreja nacional sob a qual o ofício está sendo feito); por nosso Reverendíssimo Metropolita N., Primaz da Igreja Russa, no exílio; pelo nosso Reverendíssimo Arcebispo ou Bispo, titular da diocese; pelo venerável presbiterado"(isto é, pelo corpo de presbíteros); "pelo diaconato em Cristo" (o corpo de diáconos); "por todo o clero" (todas as pessoas ligadas à Igreja incluindo, leitores, membro do coro, subdiáconos) "e povo" (a congregação e paroquianos); "pela sofredora nação Russa e seu povo Ortodoxo tanto na pátria quanto na diáspora, e pela sua salvação"; "por essa nação, suas autoridades e forças armadas"; "que Ele livre Seu povo dos inimigos invisíveis,e confirme em nós unidade de mente, amor fraterno e piedade"; "por esta cidade" (ou santo mosteiro, onde a cidade é); "por toda cidade e país, e por aqueles que ai vive na fé" (isto é, a população Cristã)* . Depois de oferecer petições pelos membros da Igreja e do Estado nós oramos ao Senhor por "tempos favoráveis, pelos dias de paz e pela abundancia dos frutos da terra" (isto é, que o Senhor nos livre do clima calamitoso, e de doenças transmitidas pelo ar, de más colheitas, e da guerra); "por aqueles que viajam por terra, mar e ar, pelos doentes e aflitos, pelos prisioneiros e sua salvação"; "para que sejamos afastados da aflição, da tristeza das vinganças do próximo, de todos os perigos, doenças e necessidades"; "para que Ele proteja-nos, salve-nos, tenha piedade e defenda-nos pela Sua graça"; a ectênia termina com nosso comprometimento com a vontade de Deus: "Invocando a nossa toda santa, toda pura, bendita e gloriosa soberana, a Mãe de Deus e sempre Virgem Maria, assim como todos os santos, entreguemo-nos todos e cada um de nós, em cada instante da nossa vida, a Cristo, Nosso Deus."

Em resposta a essas palavras, os fiéis cantam: "Pois a Ti, Senhor." Depois disso, tendo terminado as petições, o presbítero canta alto: "Pois a Ti pertence, toda glória, honra e adoração, Pai, Filho e Espírito Santo, agora e sempre e pelos séculos dos séculos"; isto é, nós oferecemos nossas súplicas a Ti, porque a Ti, o Deus Triúnico, nós devemos glória, honra e adoração. Em resposta a essa exclamação no presbítero, os fiéis dizem a palavra, "Amém" que significa "sim, verdadeiramente isso é assim."

Essa ectênia é chamada "a Grande," porque consiste em muitas petições, também "a Ectênia da Paz," porque ela implora por misericórdia. É recitada em frente das Portas Reais fechadas, por conta de nossos pecados terem nos removido de Deus e fecharam para nós as portas do Reino do Céu. O fechamento das Portas Reais logo depois do Salmo Introdutório significa que a completa felicidade de nossos pais no Éden foi de curta duração.

Os Catismas.

A Grande Ectênia, é seguida pelo canto ou leitura dos catismas. Esse nome é dado para as partes do Saltério, aquele livro do Velho Testamento no qual estão reunidos os Salmos, ou cânticos sagrados dos antigos hebreus * . Cada catisma é dividido em três stáses, e cada stasis é separada da seguinte pelo canto do Aleluia repetido três vezes com a adição das palavras "Glória a Ti, ó Deus"; por isso as stases também são chamadas de "Glórias." Nos tempos antigos todos os catismas eram cantados alternadamente por dois coros; e daí as partes separadas deles também eram chamadas de antífonas, isto é, hinos cantados "antifonalmente," em alternada resposta de cada parte †. A palavras "Kathism" é derivada de uma palavra grega que significa "sentar." As parte do Saltério são assim chamadas, porque, em tempos antigos, elas eram seguidas por homilias, durante as quais a congregação podia se sentar. No tempo presente, apesar das homilias terem sido suprimidas, o nome é preservado, porque é permitido se sentar durante a leitura dos Salmos. Nos domingos e vésperas de dias de festa, a antífona do primeiro catisma é cantada, contendo lamentações sobre o ter perdido o estado feliz através do pecado, junto com esperanças de salvação. Os versículos dos Salmos são separados pelo canto do "Aleluia": "feliz o homem que não segue o conselho dos ímpios" (Aleluia!), "servi ao Senhor com respeito e rejubila Nele com tremor" (Aleluia!) "levanta-Te, Senhor, e salva-me ó Deus" (Aleluia!) "Felizes todos os que Nele confiam" (Aleluia!) "Sim, Senhor, a salvação vem de Ti. Desça a Tua benção sobre o Teu povo" (Aleluia!).

A Pequena Ectênia — Depois do catisma segue a Pequena Ectênia, que é um resumo da Grande Ectênia. Ela começa com um convite a orar: "De novo, em paz, oremos ao Senhor"; ela consiste só em uma petição: "Protege-nos, salva-nos, tem misericórdia de nós, e defender-nos pela Tua graça," e terminar com a recomendação para a vontade de Deus e a doxologia. A pequena Ectênia serve para dividir uma parte do ofício da seguinte.

 

"Senhor, a Ti Clamo."

Arrependimento pelos pecados cometidos chama na alma humana súplica por misericórdia, depois do castima, versículos selecionados dos Salmos são lidos ("Senhor, a Ti clamo, ouve a minha voz"), em que são expressos: em primeiro lugar, súplicas do fundo do coração, que o Senhor ouça nossas indignas preces, ajude-nos a mantermo-nos afastados do mal e dos homens malignos, e nos receba entre os Seus eleitos; em segundo lugar, a segurança que o Senhor ouvirá nossas preces. Os últimos versículos dos Salmos, nos quais é expressa a esperança de salvação, são cantados alternadamente com hinos compostos em louvor de pessoas ou eventos a quem o ofício é consagrado, e assegurando-nos que o Senhor aceita as orações daqueles que O amam. Esses hinos são chamados Esticherios (uma palavra grega, significando, "versos") no "Senhor, a Ti clamo." O último dos esticherios glorifica a Mãe de Deus, e contém o dogma da Encarnação, e por isso tem o nome de "Theotokion Dogmático," ou simplesmente, "Dogmática."

"Senhor, a Ti Clamo, vem em meu auxílio; escuta a minha voz que a Ti se eleva que a minha oração se eleve como incenso diante de Ti,e a elevação das minhas mãos como um sacrifício vespertino .... tira a minha alma da prisão para que possa louvar o Teu nome. (aqui segue um estiquerion). Os justos virão circundar-me quando me concederes essa graça. (estiquerion). ... Porque no Senhor há misericórdia,e abundante redenção. Ele mesmo há de redimir Israel (seu povo escolhido) de todas as iniqüidades. (estiquerion). Louvai ao Senhor todas as nações, Louvai-O todos os povos. (estiquerion). Porque sem limites é a Sua misericórdia para conosco e a fidelidade do Senhor permanece para sempre. Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém." (Theotokion Dogmático).

 

Intróito das Vésperas e Doxologia.

Enquanto o último estiquérion (a Dogmática) está sendo cantado, as Portas Reais são abertas, por conta de as esperanças dos fiéis não foram em vão e que a Encarnação do Filho de Deus abriu para eles as portas do Reino do Céu. Nesse momento o presbítero vem para fora pela porta norte, precedido pelo diácono com o turíbulo e os cerofenários (portadores de vela), incluso o grande castiçal, com velas acesas, e parando em frente às Portas Reais, dá uma benção com o sinal da Cruz virando para o leste. O diácono exclama alto: "Sapiência! De pé!" A exclamação "Sapiência!" significa que essa entrada expressa a vinda par a o mundo do Salvador, assim: a saída pela porta norte ao invés de pelas Portas Reais significa que Cristo veio em humildade; as velas acesas e o incenso nos lembram que Ele nos trouxe a luz da verdade e a graça do Espírito Santo; a benção pelo Sinal da Cruz significa que Cristo abriu para nós a entrada no Reino do Céu por Sua Paixão na Cruz. Pela exclamação "de pé" o diácono convida os fiéis a ficar reverente e decorosamente. Os fiéis., tendo ouvido na dogmática as novas da Encarnação do Filho de Deus, e vendo na entrada do presbítero um símbolo das misericórdias que nós recebemos através dessa Encarnação cantam um hino de louvor a Cristo. Enquanto esse hino está sendo cantado, o presbítero entra no santuário e se põe atrás do altar, perto do bema.

"Ó Luz jubilosa da santa glória do Pai celeste, Santo e Bem Aventurado, Senhor Jesus Cristo: Chegados ao por do sol (isto é, tendo vivido para ver o sol se por), contemplando a luz vespertina, nós cantamos o Pai, o Filho e o Espírito Santo: Deus! É digno e justo que em todo tempo Te louvemos com vozes puras, ó Filho de Deus, que dás a vida. Todo universo te dá glória. Amém. Aleluia."

 

O Prokimenon.

Depois da Doxologia é recitado o Prokimenon. (a palavra significa "importante," "principal," "chefe"). Esse nome é dado para um verso curto, geralmente selecionado da Sagrada Escritura, que engloba o significado do ofício inteiro, e assim, se refere ao principal conteúdo das orações, hinos e lições da Escritura para o dia * . Por sua importância, o prokimenon é enfaticamente destacado no oficio: o diácono exclama: "Estejamos atentos!" o presbítero abençoa todos os presentes, dizendo: "A paz esteja convosco." Ao que os fiéis respondem: "E com teu espírito," (isto é, "nós desejamos o mesmo para tua alma"); o diácono mais uma vez chama: "Estejamos atentos! Sapiência!" (isto é, estejamos atentos, pois as palavras de sabedoria serão faladas"). O prokimenon é cantado três vezes. Depois do que as Portas Reais são fechadas.

A Paremia — Em certos dias, o prokemenin é seguido pela leitura da paremia; essa palavra significa "parábola" ou "alegoria." Nos ofícios da Igreja o nome é dado para lições selecionadas ou leituras da Escritura, principalmente do Velho Testamento, contendo o protótipo do evento comemorado ou uma profecia relativa ao mesmo, ou ainda explicando o significado na festa, ou louvando o santo em cuja honra a festa foi instituída. Paremia são prescritas para todos os dias de festa exceto os domingos, e para os dias da Grande Quaresma. Usualmente são lidas duas ou três. * *

A Ectênia Tripla e a Ectênia de Súplica — Após glorificar Cristo, como Deus, nós oferecemos nossas petições nas palavras de duas ectênias, faladas pelo diácono: na primeira, nós pedimos misericórdia para todos os Cristãos, enquanto na segunda nós especificamos que misericórdias nós desejamos para as almas deles. A primeira é chamada de "Ectênia Tripla" porque o "Senhor, tem piedade" é cantado três vezes depois de cada petição. A outra é chamada de "Ectênia de Súplica," porque a resposta para cada petição é "Concede, Senhor!"

A Ectênia Tripla começa com o convite: "Digamos com toda nossa alma e com todo nosso espírito," e consiste em petições para nosso Imperador, por seu próspero governo (a preservação de sua vida, sua paz de espírito, alegria, salvação: "Que o Senhor especialmente o ajude e o assista em todas as coisas, e subjugue sob seus pés todo inimigo e adversário); para a casa reinante; pelo Santíssimo Sínodo, o bispo local, e todos os nossos irmãos em Cristo; para o exército Cristão; para os benditos e sempre lembrados fundadores desse santo templo (no qual o ofício é celebrado), e para todos os nossos pais e irmãos que se foram para o repouso e jazem aqui (enterrados ao redor da Igreja) (e em todos os outros lugares); por misericórdia, vida, paz, saúde,salvação, proteção, perdão e remissão dos pecados dos servos de Deus, os irmãos desse santo templo (isto é, os paroquianos da Igreja), por aqueles que oferecem seus dons e os seus bens (que fazem outras coisas para o bem da paróquia) a esta santa e venerável igreja, que desempenham uma função (para o bem da igreja), que nela cantam, e por todo povo presente que confia na Tua imensa misericórdia." O presbítero conclui essas petições com uma Doxologia, na qual ele explica que nós esperamos obter de Deus o que pedimos, porque "Ele é um Deus cheio de amor e bondade pelos homens."

A Ectênia de Súplica começa com o convite "completemos nossa oração vespertina ao Senhor"; e consiste em petições para que o Senhor nos conceda: "Que essa tarde seja perfeita, santa, vivida em paz e sem pecado, um anjo de paz, guia fiel e guardião de nossas almas, e para que a paz reine no universo; que passemos o resto da nossa vida na paz e no arrependimento; uma morte Cristã e serena. Sem dores nem vergonhas, e que uma sentença favorável nos seja concedida no temível tribunal de Cristo.." Na exclamação da conclusão da Ectênia, abençoa a congregação, dizendo: "A paz esteja convosco," a que o povo responde: "e com teu espírito." Após a Ectênia hinos são cantados em honra e memória de pessoas ou eventos aos quais os ofícios do dia são dedicados. Esses hinos são separados por versos tirados de várias partes das Escrituras, e são por isso, chamados de Esticherios nos versos.

Conclusão das Vésperas

Cheios de esperanças no Filho de Deus, Que, tendo encarnado na Virgem Maria, deu para aqueles que crêem Nele os direitos de chamar Deus de seu Pai, nós podemos nos retirar para repousar sem medo, ainda que esse repouso possa passar para aquele da morte. Assim, nós concluímos nossa prece vespertina com a ultima oração do Bem Aventurado Simeão, o Pai Nosso, um hino em louvor à Mãe de Deus, e pedindo a benção de Deus, em resposta a isso, o presbítero abençoa o povo dizendo: "A benção do Senhor esteja convosco, por sua graça e amor pelo homem, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos."

Oração de São Simeão. — "Agora, Senhor, deixa Teu servidor, segundo a Tua palavra partir em paz, porque meus olhos viram a salvação que vem de Ti, que Tu preparaste para ser apresentada a todos os povos, luz que brilhará sobre todas as nações e glória de Teu poço, Israel."

A Lítia.

Às vezes, em uma Vigília de Toda Noite, no final da Véspera, o clero oficiante vai com incenso e velas para o vestíbulo da Igreja, para realizar a Lítia. A palavra significa "súplica fervorosa." Nos tempos antigos isso era feito para que os catecúmenos e penitentes que ficavam no vestíbulo pudessem participar da alegria do festival. Os fiéis costumavam sair com o clero, para significar sua humildade e seu amor fraterno para com aqueles que haviam pecado. No presente esse costume ainda sobrevive e serve como uma lembrança para todos os Cristãos que eles devem cuidar da pureza de suas almas, que sozinha pode fazer com que eles sejam dignos de entrar na casa de Deus. A Lítia consiste principalmente de uma Ectênia, recitada pelo diácono, "pela salvação do povo; pelo soberano e sua Casa; pelo clero; por todas as almas Cristãs aflitas (aflitas por tristeza ou pecado), desejosas de ajuda; pela cidade, pais e por todos os fiéis que ai vivem; pelos pais e irmãos falecidos; pela libertação da fome, e epidemias, terremotos, enchentes, fogo, espada, invasão hostil e conflitos civis." Depois da Ectênia todos os presentes baixam suas cabeças e o presbítero diz uma oração na qual ele implora o Senhor que "aceite nossas orações, para conceder-nos a remissão de nossas transgressões, para afastar de nós todos os inimigos, para manter nossa alma em paz, para ter misericórdia de nós e nos salvar." Nas Igrejas que não tem vestíbulo, a Lítia ás vezes é realizada fora das portas, em campos, praças públicas ou prefeituras. Para esses propósitos o clero sai portando cruzes, estandartes e ícones, formando uma procissão.

Depois da Lítia, o clero, cantando versos, retorna do vestíbulo para a Igreja, e para no meio dela, diante de uma mesa na qual foram postos cinco pães e três vasos, um com trigo, um com vinho de uva e um com óleo. Depois de ler as orações conclusivas da Vésperas, o presbítero faz o sinal da Cruz sobre os pães e ora ao Senhor que Ele abençoe-os e os multiplique "no mundo inteiro, e santifique os fiéis (Cristãos) que partilhem esses dons." O serviço conclui com a benção da congregação. Nos tempos antigos, imediatamente depois da benção dos pães, um trecho dos Apóstolos era lido * para os fiéis um pedaço do pão bento e um cálice e um cálice de vinho, para que eles pudessem manter suas forças. No tempo presente, os ofícios sendo abreviados, não é oferecida comida entre as Vésperas e Matinas.

 

 

Matinas.

 

"O Hexasalmo."

Numa Vigília de Toda Noite, a Matinas começa imediatamente depois da benção da congregação pelo presbítero. A Igreja é fracamente iluminada e as Portas Reais são fechadas, enquanto o leitor proclama três vezes o Hino Angelical, que foi cantado na noite da Natividade antes da aurora: "Glória à Deus nas alturas, paz na terra, e boa vontade entre os homens," então lentamente, lê seis Salmos (3, 38, 63, 88, 103, 143), nos quais são expressos alternadamente a tristeza de uma alma arrependida de seus pecados (38, 88, 143), e a esperança na misericórdia de Deus e salvação (3, 63, 103). Enquanto os três últimos salmos são lidos, o presbítero, diante das Portas Reais secretamente — isto é, inaudivelmente, para si próprio - recita as orações matinais, como o advogado do povo diante do Senhor.

 

"O Senhor é Deus," e os Catismas.

Depois dos Seis Salmos, nós oferecemos a Deus nossas petições para a concessão de misericórdias espirituais e corporais nas palavras da Grande Ectênia, então nós cantamos um hino em louvação a Deus, Que desceu para a terra para nossa salvação, a continuação do Hino Angelical: "O Senhor é Deus e Se nos manifestou; bendito aquele que vem em nome do Senhor." A esse hino é acrescentado o tropário da festa como uma lembrança das misericórdias concedidas a nós pela encarnação do Filho de Deus. Enquanto o hino, o "Senhor é Deus" e o tropário estão sendo cantados a iluminação na Igreja é aumentada, para significar que Cristo, tendo vindo, é a Luz do mundo. O Tropário é seguido pelos catismas em sua ordem, expressando nas palavras dos Salmos, nossa consciência de nossa indignidade diante de Deus. Nos tempos antigos a lição dos Apóstolos era exposta após a leitura dos catismas. Agora esses são imediatamente seguidos por uma pequena Ectênia.

Essa parte do ofício de Matinas, consistindo em uma longa e continua leitura de Salmos, intercalada somente por breves Doxologias em honra da vinda de Cristo ao mundo, e em memória das misericórdias que Ele trouxe com Sua vinda, recorda-nos do tempo quando Cristo já vivia na terra mas era desconhecido por quase ninguém, enquanto os homens continuavam a esperar Sua vinda e oravam a Deus por misericórdia, ouvindo em dúvida e perplexidade as novas de que o Senhor já tinha aparecido na terra. Consistindo, como é o caso, principalmente em orações penitenciais, essa parte do ofício de matinas acontece com as Portas Reais fechadas.

O Polyeleos.

A segunda parte do ofício, consistindo em glorificações de evento ou pessoa comemorada do dia, é celebrada com especial solenidade das vigílias dos dias de festa. Depois dos catismas terem sido lidos, com as Portas Reais abertas os Salmos 135 e 136, que começa: "Louvai ao Senhor! Louvai o nome do Senhor!," são cantadas , com a resposta "Aleluia" depois de cada verso. Esse canto é chamado Polyeleos, isto é, "de muitas misericórdias" também "óleo abundante" porque as palavras "porque Sua misericórdia é eterna" são freqüentemente repetidas nele, e enquanto ele está sendo cantado todas as luzes são acesas. Ao mesmo tempo, por conta da reverência na festividade, uma incensação é feita em toda a Igreja.

O Magnificat e o Tropário de Domingo.

Nos grandes dias de festa, depois do Polyeleos, parando na frente de um ícone posto num analogion (pianha) no meio da Igreja, o clero canta um verso curto engrandecendo a pessoa ou evento celebrado. Nos domingos, o tropário da Ressurreição é substituído por esse verso; eles falam da Ressurreição de Cristo e convidam o fiel a adorar a Santíssima Trindade. Esses tropários são cantados com a resposta: "Bendito és Tu, o Senhor, ensina-me Teus estatutos," e termina com um hino em honra da Mãe de Deus (Theotokion).

"A assembléia dos Anjos estava atônita, vendo a Ti contado entre os mortos, no entanto, ó Salvador."

destruindo o poderio da morte, e com Tu mesmo levantando Adão, é libertando todos do Hades"

"Porque misturais mirra com lágrimas de piedade, ó mulheres discípulas? Assim o Anjo radiante dentro da tumba se dirigiu às mulheres miróforas: contemplem a tumba e compreendam que o Salvador ressuscitou do túmulo."

"Muito cedo as mulheres miróforas se apressaram para Teu túmulo lamentando; mas o Anjo se colocou diante delas dizendo: o tempo de lamentação passou; não chorem mas contem aos Apóstolos sobre a Ressurreição"

"As mulheres miróforas, vieram ao Teu túmulo com mirra, ó Salvador, lamentando, mas o Anjo se dirigiu a elas dizendo: Porque o procurais entre os mortos? Pois como Deus, Ele ressuscitou do túmulo."

"Adoremos ao o Pai, e Seu Filho, e o Espírito Santo, a Santíssima Trindade, una em essência, clamando com os Serafins: Santo, Santo, Santo és Tu, ó Senhor."

"Trazendo à Luz, o Doador, Tu livraste Adão do pecado, ó Virgem, e trouxeste para Seu júbilo ao invés de tristeza; e aqueles decaídos da vida foram assim restaurados, por Ele Que de Ti, encarnou, Deus e Homem"

 

As Antífonas nas Matinas.

O Magnificat ou Tropário do domingo e a Pequena Litania são seguidos pelo canto de antífonas alternadamente por dois coros. Elas são diferentes para cada domingo, oito no total, sendo esse o numero de tons.

As antífonas seguintes são cantadas mais freqüentemente que qualquer outra:

"Desde a minha juventude, numerosas são as paixões que me assediam, mas Tu, ó meu Salvador, escuta-me e salva-me."

"Vós que detestais a Sião* , sereis confundidos perante o Senhor, e tal como a erva diante do fogo, assim vós definhareis."

"É pelo Espírito Santo que toda a alma vive e é elevada pela purificação; ela é amparada pela Trina unidade num mistério sagrado"

O Evangelho.

Depois das Antífonas vem a lição ou leitura do Evangelho. Para alertar os fiéis para atenção e reverência, o diácono chama "estejamos atentos!" e a seguir um prokimenon é lido, que indica a essência da leitura a seguir, após o que o diácono convida os fiéis primeiro a louvar Deus, nas palavras "que tudo que respira louve ao Senhor," a seguir "que o Senhor nos faça dignos de ouvir o Santo Evangelho" e finalmente chama: "Sapiência! De pé!" o presbítero abençoa os fiéis e anuncia de que evangelista será a lição lida. . Em resposta a isso os fiéis cantam "Glória a Ti, Senhor, glória a Ti!" . E imediatamente antes da leitura do o diácono mais uma vez convida à atenção clamando: "Estejamos atentos!" Então o presbítero começa a leitura, aos domingos no Santuário diante do altar, e nos dias de festas no meio da Igreja diante do ícone da festa. A lição do Evangelho é adaptada ao evento comemorado em cada dia. Aos domingos, as lições selecionadas para as matinas são aquelas que falam da Ressurreição de Cristo e Suas aparições depois da Ressurreição.

Veneração do Evangeliário ou do Ícone, e Unção com Óleo — Depois da lição do Evangelho se o dia é de festa. Dá-se veneração ao ícone da festa que está num analogion (pianha) no meio da Igreja; se for um domingo, o Evangeliário é trazido para o meio da Igreja. Os fiéis reverentemente encontram o livro sagrado, como se fora o próprio Cristo, e cantam um hino em honra D