Informações sobre Igrejas e seitas.
Bispo Alexandre (Mileant)
Tradução: Marina Tschernyschew
Indícios da Igreja verdadeira. A Igreja Ortodoxa. A Igreja Católica Romana. Roma e Rússia. Principais diferenças entre a Ortodoxia e o Catolicismo. O Protestantismo. O Luteranismo e a sua evolução. O Calvinismo, a Igreja reformada e o Presbiterianismo. O Anglicanismo. Resumo da primeira parte. Introdução à segunda parte. Os Batistas. Os "Quakers" (Quacres). Os Pentecostais. O atual "dom das línguas." Os Metodistas. Os Menonitas. Os Mórmons. Os Adventistas do Sétimo Dia. As Testemunhas de Jeová. A Ciência Cristã. A Sociedade de Cientologia. O Humanismo Secular. Sociedades e cultos pseudo-religiosos. As heresias e seitas na Rússia. Os Uniatas na Rússia. Breve resumo sobre outras doutrinas. Ateísmo. Conclusão. Tenha o cuidado de não ingressar em uma seita. Oração de apelo pelos perdidos.
.
P
ara muitas pessoas, o contínuo aumento do número de igrejas e das mais variadas seitas vem dificultar a questão de qual seria a Igreja verdadeira e, se realmente existiria nos dias de hoje uma única e verdadeira Igreja. Segundo alguns, a Igreja Apostólica original fragmentou-se gradualmente e as Igrejas hoje existentes possuem simplesmente fragmentos de sua riqueza espiritual anterior a bem-aventurança e a bondade. Com essa perspectiva da Igreja, alguns consideram que a mesma possa ser reconstituída a partir das denominações cristãs existentes (sociedades religiosas, seitas), através de acordos e concessões mútuas. Esse ponto de vista é a base do atual movimento ecumênico que não considera Igreja alguma como sendo a Igreja verdadeira. Outros talvez pensem, que em princípio a Igreja nunca teve nada em comum com as Igrejas oficiais, mas ela sempre foi constituída de indivíduos crentes isolados pertencentes a diversos grupos eclesiásticos. Essa última idéia é expressa no estudo da chamada "Igreja invisível" apresentada pelos modernos pastores protestantes. Enfim, para muitos cristãos esta questão permanece confusa: seria realmente necessário uma Igreja já que o homem se salva pela própria fé?Todas essas contradições e falsos conceitos sobre a Igreja fluem de uma má interpretação dos ensinamentos centrais de Cristo na salvação do homem. Quando lemos o Evangelho e as Epístolas dos Apóstolos torna-se evidente que segundo as idéias de Cristo as pessoas são chamadas a salvar suas almas não de maneira isolada mas sim conjuntamente, compondo assim um único Reino: o do bem e o da bem-aventurança, pois o reino do mal liderado pelo príncipe das trevas também atua de maneira unificada em sua batalha contra a Igreja, sobre a qual lembrou-nos o Salvador dizendo:
"Ora, se satanás lança fora a satanás, está dividido contra si mesmo; como subsistirá pois o seu reino?" (Mt 12:26).
Porém, apesar da diversidade de idéias contemporâneas sobre a Igreja, a maioria dos cristãos sensatos concordam que na época dos apóstolos existiu uma Igreja verdadeira de Cristo, como uma sociedade única de remidos. O livro Atos dos Apóstolos descreve o surgimento da Igreja em Jerusalém, quando no 50Ί dia após a ressureição de Cristo, o Espírito Santo desce sobre os apóstolos em forma de línguas de fogo.
Desse dia em diante a fé cristã difundiu-se rapidamente por várias partes do império romano. Como resultado da dispersão dos fiéis houve nas cidades e aldeias o desenvolvimento de comunidades cristãs denominadas Igrejas. Devido as grandes distâncias, essas comunidades viviam de certa maneira no cotidiano isoladas umas das outras. Entretanto, elas achavam-se organicamente pertencentes a uma única Igreja, Santa, Conciliar e Apostólica. Eram unificadas por uma fé comum e por uma única fonte de consagração obtida através dos sacramentos abençoados do batismo, da Santa Comunhão e da imposição de mãos. Inicialmente esses atos sagrados eram realizados pelos próprios apóstolos. Entretanto, em pouco tempo houve a necessidade de ajuda e os apóstolos selecionavam candidatos respeitáveis entre os membros das congregações cristãs, os quais eram nomeados bispos, presbíteros e diáconos (assim por exemplo, o apóstolo Paulo nomeou Timóteo e Tito com a graduação de bispo). Os apóstolos impunham aos bispos o dever de cuidar da fidedignidade dos ensinamentos cristãos, ensinar aos indivíduos crentes um modo de vida digno e ordenar novos bispos, sacerdotes e diáconos. Assim durante os primeiros séculos, a Igreja crescia constantemente como uma árvore e se difundia em vários países, enriquecida pelas experiências espirituais, pela literatura religiosa, pelas orações dos ofícios divinos e cânticos e mais tarde pela arquitetura dos templos e artes eclesiásticas, porém, sempre conservando a essência da Igreja verdadeira de Cristo.
O Evangelho e as Epístolas Apostólicas não surgiram imediatamente, nem simultaneamente. Durante várias décadas após a formação da Igreja a fonte dos sermões não eram as Sagradas Escrituras, mas sim a pregação oral que os próprios apóstolos chamavam "a Tradição" (1Cor 11:16, 15:2; 2Tes 2:15, 3:6; 1Tim 6:20). As Epístolas vem a ser a única tradição dos ensinamentos da fé. Na Igreja, ela sempre teve um papel determinante na questão do que é certo ou errado. Quando surgia alguma coisa que estava em desacordo com a tradição apostólica fosse em questões de fé, administração dos sacramentos ou na organização da Igreja era considerada errada e rejeitada. Continuando a tradição apostólica os bispos dos primeiros séculos analisaram minuciosamente todos os manuscritos cristãos e reuniram gradualmente as obras dos apóstolos, os Evangelhos e as Epístolas em uma coleção completa que foi o Novo Testamento, o qual juntamente com os livros do Antigo Testamento constituiu a Bíblia Sagrada em sua forma atual. Esse processo de coletânea das obras foi completado no terceiro século d.C. As obras duvidosas que não concordavam totalmente com a tradição apostólica, mas que se faziam passar por apostólicas, eram rejeitadas como falsas ou apócrifas. Dessa maneira, a tradição apostólica teve um significado primordial para a formação do Novo Testamento o tesouro escrito da Igreja. Atualmente, cristãos de todas as denominações usam o Novo Testamento muitas vezes arbitrariamente e sem reverência, não compreendendo que ele é propriedade da Igreja verdadeira um tesouro cuidadosamente coletado por ela. É muito importante lembrar que, "a Bíblia veio da Igreja e não a Igreja da Bíblia."
Graças aos comentários desses escritores que vieram antes de nós discípulos dos santos apóstolos podemos conhecer vários detalhes valiosos sobre a vida e a fé das comunidades cristãs nos primeiros séculos da nossa era. A crença na existência de uma Igreja Única Santa e Apostólica era universal naquela época. Naturalmente naquele tempo a Igreja tinha seu lado visível nas "vésperas do amor" (liturgias) e outros ofícios divinos, nos bispos e sacerdotes, nas orações e cânticos eclesiásticos, nos mandamentos (regras apostólicas) que regulavam a vida e as inter-relações das Igrejas isoladas e em todas as manifestações da vida das comunidades cristãs. Devemos reconhecer, portanto, que o ensinamento sobre a Igreja "invisível" é novo e inexato.
Concordando com o fato de existir uma Igreja única e real nos primeiros séculos do cristianismo, seria possível encontrar um momento histórico quando ela se fragmentou e deixou de existir? A resposta sincera deveria ser não! A questão é que, as divergências da pureza dos ensinamentos apostólicos as heresias começaram a surgir ainda no período apostólico. Naquela época os ensinamentos gnósticos eram muito ativos, pois mesclavam elementos da filosofia pagã com a fé cristã. Os apóstolos em suas Epístolas preveniam os cristãos contra esses ensinamentos, afirmando diretamente que os adeptos dessas seitas tinham se afastado da verdadeira fé. Os apóstolos se comportavam com os heréticos como se comportavam com os ramos secos que se quebravam da árvore eclesiástica. De maneira semelhante os bispos dos primeiros séculos, sucessores dos apóstolos, não reconheciam os desvios da fé apostólica e excomungavam da Igreja os adeptos que persistiam nesses ensinamentos conforme a advertência do apóstolo Paulo:
"Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie um Evangelho diferente daquele que vos temos anunciado, seja anátema" (i.é. excluído) (Gal 1:8-9).
Assim, nos primeiros séculos do cristianismo a questão sobre a unidade da Igreja era clara: a Igreja é uma família espiritual única de fiéis, trazendo dos tempos apostólicos o verdadeiro ensinamento, os sacramentos únicos e a sucessão contínua da graça transferida sucessivamente de bispo para bispo. Para os sucessores dos apóstolos não havia dúvida que a Igreja era indispensavelmente necessária para a salvação, pois, ela defende e proclama o puro ensinamento de Cristo, santifica os fiéis e os leva para a salvação. Utilizando as figuras de linguagem das Escrituras Sagradas, nos primeiros séculos do cristianismo a Igreja era considerada como um "cercado de cordeiros," no interior do qual o bondoso Pastor Cristo protegia seus cordeiros contra o "lobo" o demônio. A Igreja assemelhava-se a uma videira, através da qual os fiéis, assim como os ramos, recebiam as forças espirituais indispensáveis para a vida cristã e para as boas obras. A Igreja era compreendida como o Corpo de Cristo, no Qual cada fiel representando um membro deveria trabalhar para o benefício de todos. A Igreja era como a Arca de Noé, na qual os fiéis navegavam sobre o mar da vida e alcançavam o porto do Reino dos Céus. A Igreja era comparada a uma grande montanha, elevada sobre as ilusões humanas e que levaria os seus peregrinos ao céu para comunicar-se com Deus, com os anjos e os santos.
Nos primeiros séculos do cristianismo, crer em Cristo significava crer também que as obras que Ele desempenhou na Terra seriam os meios por Ele fornecidos aos fiéis para sua salvação. Esses meios não devem ser perdidos nem levados pelos esforços do demônio. Os profetas do Antigo Testamento, Nosso Senhor Jesus Cristo e Seus apóstolos afirmavam definitivamente sobre a continuidade da Igreja até o final dos tempos:
"No tempo, porém, daqueles reinos suscitará o Deus do céu um reino que não será jamais destruído, e este Seu reino não passará a outro povo; antes esmigalhará e aniquilará todos estes reinos e Ele subsistirá para sempre" profetizou um anjo ao profeta Daniel (Dan 2:44).
E o Senhor prometeu ao apóstolo Pedro: "E Eu digo-te que tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra Ela" (Mt 16:18).
Se nós, da mesma maneira, acreditamos nas promessas do Nosso Salvador, devemos reconhecer a existência da Sua Igreja em nossos dias, até o final dos tempos. Não indicamos ainda onde está a Igreja verdadeira, mas relatamos somente uma postura fundamental; ela deve existir em sua natureza santificada, íntegra e real. A Igreja não pode ser fragmentada, danificada ou reduzida.
Portanto, onde ela está? Quais os indícios que podem identificá-la entre uma infinidade de ramificações cristãs modernas?
Em primeiro lugar, a Igreja verdadeira deve conter os ensinamentos cristãos, puros e intactos pregados pelos apóstolos. A vinda do Filho de Deus à terra consiste em proporcionar a verdade às pessoas, conforme disse Jesus antes de Sua crucificação e sofrimento:
"... Nasci, e vim ao mundo para dar testemunho da verdade; todo o que está pela verdade, ouve a Minha voz" (Jo 18:37).
O apóstolo Paulo ao instruir seu discípulo Timóteo de como ele deveria desempenhar suas obrigações episcopais, escreve: "... porém, se tardar, para que saibas como deves portar-te em casa de Deus, que é a Igreja de Deus vivo, coluna e firmamento da verdade" (1Tim 3:15).
Devemos admitir com pesar que há muitas discordâncias nos ensinamentos cristãos modernos. Em princípio é necessário concordar, que nem todos podem ensinar a verdade. Por exemplo, se uma Igreja afirma que a Sagrada Comunhão é o Corpo e o Sangue de Cristo e outra Igreja diz que não, é impossível que ambas estejam corretas. Ou, se uma Igreja acredita na realidade da força espiritual do Sinal da Cruz e uma outra rejeita essa força, evidentemente uma delas está equivocada. A Igreja verdadeira deve ser aquela que não diverge quanto às questões de fé com a Igreja dos primeiros séculos do cristianismo. Quando uma pessoa compara objetivamente os ensinamentos das Igrejas cristãs contemporâneas, ela chega à conclusão de que somente a Igreja Ortodoxa professa a verdadeira fé da antiga Igreja apostólica.
Outro indício através do qual se pode encontrar a Igreja verdadeira está na bênção ou no poder de Deus ― com o qual a Igreja é chamada para instruir e fortalecer os fiéis. Apesar da bênção ser uma força invisível ela existe de qualquer modo na esfera externa, na qual ela pode ser observada pela sua existência ou ausência, sendo ela uma continuidade apostólica. Desde o tempo dos apóstolos a bênção era dada aos fiéis no Sacramento do batismo, na Santa Comunhão, na imposição das mãos (ungindo o clero) e em outras situações. Inicialmente, eram os apóstolos que realizavam esses sacramentos, depois os bispos e o clero (cf. At 8:14-17; Os presbíteros distinguiam-se dos bispos pelo fato dos primeiros não terem o direito de oficiar o Sacramento da imposição das mãos). O direito de realizar o Sacramento da imposição das mãos era passado única e exclusivamente por sucessão apostólica, já que os apóstolos nomeavam bispos permitindo somente a eles a nomeação de outros bispos, sacerdotes e diáconos. A sucessão apostólica é semelhante ao fogo sagrado através do qual uma vela ilumina a outra. Se o fogo for extinto ou a corrente apostólica da sucessão for rompida, não haverá mais o verdadeiro lider espiritual e nem tão pouco os Sacramentos, perdendo assim os fiéis o significado da salvação. Essa é a razão pela qual desde o tempo dos apóstolos o rito da sucessão apostólica foi sempre fielmente observado, tanto que um bispo era sempre nomeado por um verdadeiro bispo, cuja nomeação por sucessão retrocedesse aos apóstolos. Os bispos que cometiam heresias ou que mantinham um modo de vida indigno, eram depostos do cargo e perdiam o direito de oficiar os Sacramentos e de nomear novos sucessores.
Atualmente, existem somente algumas Igrejas cuja ascendência apostólica não se pode duvidar seria a Igreja Ortodoxa, a Igreja Católica Romana e algumas Igrejas orientais não ortodoxas como a Igreja Coptica (as quais por sinal, desviaram-se da pureza do ensinamento apostólico ainda na época do Concílio Ecumênico). As denominações cristãs modernas que negam fundamentalmente a obrigatoriedade do sacerdócio e da sucessão apostólica, já por este único indício, distinguem-se expressivamente da Igreja dos primeiros séculos e portanto não podem ser verdadeiras.
A pessoa sensível espiritualmente, sem dúvida, não necessita de provas externas da infinita graça da bênção de Deus, pois ela sente nitidamente o seu relacionamento caloroso e apaziguador obtido nos Sacramentos e ofícios divinos da Igreja Ortodoxa. Os cristãos têm que saber diferenciar a bênção de Deus do pobre espiritualismo de êxtase, que é evocado artificialmente pelos seguidores das seitas, tal como fazem os pentecostais em seus encontros de orações. Os sinais da verdadeira bênção consistem: na paz de espírito, no amor a Deus e ao seu semelhante, na bondade, na fidelidade, na paciência, na modéstia, na humildade, na docilidade e em outros frutos similares do espírito nomeados pelo apóstolo Paulo em sua epístola aos Gálatas 5:22-26.
Outro indício da Igreja verdadeira é visto em seu sofrimento. Se as pessoas encontram dificuldades em compreender qual seria a Igreja verdadeira, o demônio seu inimigo compreende-a muito bem. Ele a detesta e tenta liquidá-la. Ao tomarmos conhecimento da história da Igreja vemos que na verdade sua história foi escrita com lágrimas e com sangue de seus mártires pela fé. As primeiras perseguições à Igreja foram iniciadas pelos altos sacerdotes hebreus e escribas, durante o tempo dos apóstolos. Vieram depois, três séculos de perseguições pelo império romano por parte dos imperadores romanos e dirigentes regionais. A seguir, a espada dos árabes muçulmanos foi erguida contra a Igreja. Depois veio a invasão das cruzadas latinas vindas do ocidente, que minaram a tal ponto as forças físicas do Bizâncio ― o baluarte da ortodoxia ― que ele nγo foi capaz de resistir ao ataque dos turcos, os quais ocuparam-no nos séculos XIV e XV. Finalmente, vieram os comunistas ateístas, que superaram a todos pela sua crueldade, exterminando mais cristãos do que todos os anteriores opressores em conjunto. Mas, aqui está o milagre: o sangue dos mártires serviu de semente aos novos cristãos e os portais do inferno não pôde destruir a Igreja conforme prometeu Cristo.
Um método confiável e relativamente simples para a identificação da Igreja de Cristo vem a ser a pesquisa histórica. A Igreja verdadeira deve retroceder diretamente à época apostólica. Para empregar o princípio da pesquisa histórica não há necessidade de se aprofundar em todos os detalhes do desenvolvimento e repercussão do cristianismo, é somente suficiente identificar quando surgiu esta ou aquela Igreja. Se ela surgiu no século XVI ou em qualquer outro século e não no tempo dos apóstolos, ela não pode ser portanto a Igreja verdadeira. Com esse único indício, deve-se rejeitar a toda e qualquer denominação de Igreja de Cristo iniciada a partir de Lutero e seus adeptos, assim como: os Luteranos, os Calvinistas, os Presbiterianos e mais tarde os Mórmons, os Batistas, os Adventistas, as Testemunhas de Jeová, os Pentecostais e outras semelhantes. Essas denominações não foram estabelecidas por Cristo e seus apóstolos, mas sim pelos falsos profetas: Lutero, Calvino, o rei Henrique VIII fundador da Igreja na Inglaterra, Joseph Smith, Mary Baker Eddy e tempos depois, por outros inovadores.
O verdadeiro propósito desta brochura é apresentar ao leitor ortodoxo a história da formação das principais ramificações cristãs da atualidade, com o objetivo de estudá-las, permitindo assim observar o que as distingue da Igreja verdadeira única e santificada fundamentada por Cristo.
Durante a época dos "Questionamentos Cristológicos" do século IV ao VIII alguns grupos heréticos desagregaram-se da Igreja, entre eles estão incluídos os Arianos, os Macedônios, os Nestorianos, os Monofisitas e os Monotelitas (dos quais descendem os atuais Coptas), os Iconoclastas (combatentes aos ícones) e outros. Seus ensinamentos e suas heresias foram condenados pelos sete Concílios Ecumênicos, não só por serem muito perigosos, mas, porque tomaram várias vezes novas e modernas formas de diversas seitas, denominações, cultos e "movimento new age." Não discutiremos aqui, portanto, todas essas antigas heresias, mas examinaremos as correntes religiosas que reivindicam ser cristãs.
Iniciaremos primeiro, examinando a Igreja verdadeira, a Igreja Ortodoxa, que será descrita com maiores detalhes em uma brochura especial.
.
E
studando a história do cristianismo asseguramos que o surgimento da Igreja Ortodoxa deu-se definitivamente no tempo dos apóstolos. A Igreja sendo inicialmente pequena como um grão de mostarda ― exemplo usado como figura de linguagem comparativa por Cristo ― cresceu gradativamente como uma poderosa αrvore expandindo seus ramos pelo mundo todo (cf.Mt 13:31-32). Já no primeiro século encontramos comunidades cristãs em quase todas as cidades do império romano: Terra Santa, Síria, Armênia, Ásia Menor, Helena, Macedônia, Itália, Gália, Egito, África do Norte, Espanha, Bretanha e além das fronteiras do império romano na longínqua Arábia, Índia e Cítia. No final do mesmo século, as comunidades cristãs de todas as cidades maiores eram chefiadas por bispos portadores da plenitude das bênçãos apostólicas. Eles dirigiam também comunidades menores de cidades vizinhas. Já no segundo século, os bispos das principais cidades (regionais) do império romano começaram a ser denominados Metropolitas, pois unificavam em seu metropólio as cátedras dos bispos mais próximos. Os Metropolitas eram incumbidos de convocar regularmente os concílios episcopais para a resolução de questões religiosas e administrativas vigentes.Além das cidades regionais do império romano existiam as chamadas dioceses imperiais. Em relação a esses centros principais de estrutura governamental começaram a se formar pontos de administração eclesiástica de maior amplitude, foram posteriormente denominados Patriarcados. No 4° Concílio Ecumênico reunido em Tessalonica no ano 451d.C. determinou-se as fronteiras de cinco Patriarcados: Roma, Constantinopla, Alexandria, Antióquia e Jerusalém (cujo domínio era insignificante em termos administrativos, mas importante pelo seu significado religioso).
Com o passar do tempo em decorrência a diversos acontecimentos históricos, os domínios dos patriarcados aumentavam ou diminuiam em extensão. Grandes mudanças eclesiásticas ocorreram em resultado da invasão dos povos germânicos na Europa (final do século IV), das perseguições por parte dos persas e da invasão dos árabes nas regiões orientais do império bizantino (metade do século VII). Em meados do século IX observou-se um movimento de aceitação da fé cristã por parte dos povos eslavos. Partindo da Bulgária a fé cristã propagou-se até a Sérvia. Quanto à conversão dos búlgaros e morávios destacaram-se os trabalhos dos santos irmãos monges Cirilo e Metódio. Uma grande contribuição desses santos vem a ser a criação do alfabeto eslavo e a tradução dos Livros dos Santos Ofícios e Livros da Sagrada Escritura do idioma grego para o eslavo. Suas obras prepararam a Rússia para a cristandade.
Apesar de que no final do primeiro século já existiam comunidades cristãs na costa norte do Mar Negro, houve a conversão em massa ao cristianismo dos povos eslavos que habitavam a Rússia, durante o batismo dos habitantes de Kiev nas margens do rio Dniper no ano 988 no reinado do Príncipe Vladimir (ver brochura do Santo Príncipe Vladimir e Milênio do Batismo da Rússia). Da cidade de Kiev a fé ortodoxa propagou-se para outras regiões da Rússia. Quanto à grandeza da Igreja Ortodoxa Russa no período pré-revolucionário podemos avaliar o seguinte: a Rússia possuía 1098 mosteiros com mais de 90.000 monges e monjas. Além do patriarca de Moscou haviam 6 metropolitas, 136 bispos, 48.000 sacerdotes e 15.000 diáconos que serviam 60.000 templos e capelas. Para a instrução dos seminaristas (formação do clero) haviam 4 academias religiosas, 57 seminários e 185 instituições clericais. Eram editadas grandes quantidades de Bíblias, vários livros de orações, literatura religiosa e textos litúrgicos. Infelizmente, a Rússia não valorizou a enorme riqueza espiritual que tinha e começou a se interessar por idéias ocidentais. A perseguição à Igreja por parte dos ateus após 1918 e a impiedosa aniquilação do clero, dos fiéis e dos templos podem somente ser explicadas à luz do Livro do Apocalipse, onde é profetizado a grande perseguição à fé cristã antes do final do mundo.
A partir de meados do século XVIII, através das obras de São Germano do Alaska e de outros missionários russos ortodoxos a ortodoxia expandiu-se para o Alaska onde muitos Aleutas foram batizados, dando assim início à propagação da ortodoxia na América do Norte onde existe atualmente cerca de 3 milhões de cristãos ortodoxos nos EUA. Colaboraram também para a difusão da ortodoxia na América a imigração dos ortodoxos gregos e eslavos e as conversões.
Atualmente pertencem à Igreja Ortodoxa as seguintes Igrejas regionais: Constantinopla (com um grande número de paróquias na Europa, América do Norte e América do Sul e com uma cátedra patriarcal em Istambul na Turquia), Alexandria (Egito), Antióquia (com sede em Damasco na Síria), Jerusalém, Rússia, Geórgia, Sérvia, Romênia, Bulgária, Chipre, Grécia, Albânia, Polônia, Tchecoslováquia, Lituânia e a Igreja Ortodoxa na América. As Igrejas do Sinai, da Finlândia e do Japão são consideradas autônomas. Depois das duas grandes guerras mundiais foram formadas muitas paróquias ortodoxas gregas e russas (Igreja Russa no exílio) e praticamente em todas as partes do mundo. O total de cristãos ortodoxos em todo o mundo chega à cerca de 130 milhões de fiéis.
A denominação Igreja Ortodoxa entrou em uso na época dos debates religiosos do século IV ao VI, quando surgiu a necessidade de distinguir a Igreja verdadeira dos grupos heréticos (Arianos, Nestorianos e outros), os quais também se denominavam cristãos. A palavra ortodoxia deriva das palavras gregas ortho e dokeo que significa raciocinar corretamente. Outra denominação da Igreja é a palavra católica que em grego significa universal. O sentido dessa denominação é a convocação que a Igreja faz a todas as pessoas para a salvação, independentemente de sua nacionalidade e posição social. Com a tradução do Símbolo de Fé (o Credo) do grego para o eslavo a palavra católico foi traduzida como sinódico.
Dentro da Igreja Ortodoxa, as Igrejas regionais como as de Jerusalém, Rússia, Sérvia e outras são muitas vezes chefiadas por Patriarcas, Arcebispos ou Metropolitas. Para a resolução de questões referentes à Igreja, o chefe dessa Igreja convoca um Sínodo de Bispos. O que diz respeito à Igreja Ortodoxa em geral, como por exemplo, nas questões de fé (dogmas) e cânones (leis eclesiásticas) são formados "Sínodos Universais," onde se reunem bispos de todas as Igrejas Ortodoxas regionais e autônomas. De acordo com as necessidades são convocados para o concílio representantes do clero e do povo. Dessa maneira, a forma de administração na ortodoxia não é unilateral nem democrática e sim sinódica.
Os ensinamentos da Igreja Ortodoxa foram formulados resumidamente no Símbolo de Fé, que foi redigido pelo primeiro e segundo Concílio Universal em 325 na cidade de Nicéia e 381 em Constantinopla. O Símbolo de Fé por sua vez foi elaborado com base em símbolos mais antigos que remontam ao período apostólico. Resumindo os ensinamentos ortodoxos, nós acreditamos em um Deus único Pai, Filho e Espírito Santo a Trindade uniexistente e inseparável. O Filho de Deus nasceu do Deus Pai antes de todos os séculos. O Espírito Santo origina-se do Deus Pai. Nós acreditamos que o Deus único adorado na Trindade é eterno, todo poderoso e onipresente e que Ele criou pela Sua vontade tudo o que existe à partir do nada; primeiro o mundo angelical, a nós invisível e depois o mundo material. Ele criou também os seres humanos soprando neles uma alma imortal e traçando Seu código moral em nosso coração, para que nós nos aperfeiçoemos e nos deleitemos em comunhão com Ele. Nós acreditamos que Deus é infinitamente justo e misericordioso e que Ele controla todo o universo e a vida de cada um e que nada acontece sem a Sua vontade.
Quando os primeiros seres humanos violaram as leis de Deus, Ele não os rejeitou definitivamente, mas começou a prepará-los para a salvação através dos profetas, prometendo enviar-lhes o Messias, o Cristo. Quando o mundo amadureceu para a aceitação da verdadeira fé, o Filho de Deus, Nosso Senhor Jesus Cristo veio a Terra para salvar os pecadores. Ele nos ensinou como deveríamos crer e viver corretamente. Para a nossa salvação Ele morreu na cruz, lavando os nossos pecados com o Seu sangue. No terceiro dia Ele ressuscitou dos mortos e deu início a nossa ressurreição e ao prazer pleno da nossa vida eterna no paraíso. Acreditamos que o Senhor Jesus Cristo no 50° dia após a Sua ressurreição enviou sobre os apóstolos o Espírito Santo prometido por Deus Pai e que Ele permanece na Igreja instruindo-a com a verdade. Cremos que a Igreja Única, Santa, Universal e Apostólica permanecerá invencível no combate às forças do mal até o final da existência do mundo. Temos fé que o Espírito Santo através dos sacramentos do batismo, da crisma, da confissão, da comunhão e de outros ofícios sagrados, purifique e ilumine os fiéis concedendo-lhes força para viver como cristãos. Temos crença que Nosso Senhor Jesus Cristo retornará pela segunda vez a Terra, que haverá uma ressureição dos mortos, o fim do mundo, e o juízo final onde cada um receberá a sua recompensa de acordo com as suas obras. Após o juízo final iniciará para os justos a vida eterna, a eterna bem-aventurança junto a Deus e para os pecadores e o demônio começará o eterno sofrimento no fogo do inferno.
É evidente que para nossa salvação não é somente suficiente ter a fé, mas viver de acordo com ela. Portanto, reconhecemos a necessidade do cumprimento dos dez mandamentos dados por Deus ao profeta Moisés (cf.Êx 20) e dos mandamentos evangélicos da Bem-Aventurança ensinados pelo Nosso Senhor Jesus Cristo (cf.Mt 5:3-12). Esses mandamentos consistem em amar a Deus, amar ao próximo e até mesmo aos nossos inimigos (cf.Mt 5:43-45). Eles colocam a fé cristã acima de outras religiões em termos morais, e do ponto de vista do raciocínio humano podem ser avaliados como o único caminho para o estabelecimento da paz, do respeito mútuo e da legitimidade entre os homens. Sem o amor sincero ao próximo e sem o perdão, as guerras e a aniquilação mútua são inevitáveis. Nosso Senhor Jesus Cristo nos ensina a perdoar o nosso semelhante em Sua oração o "Pai Nosso" "Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como perdoamos a nossos devedores."
Ele também nos ensina em seus sermões a termos fé, humildade, paciência, perseverança, justiça e outras boas qualidades. A "Parábola dos Talentos" é o sermão que mais se destaca, pois convoca-nos a aperfeiçoarmos todas as nossas capacidades e os dons dados por Deus. A verdadeira fé deve ser obrigatoriamente identificada em nosso crescimento interno e nas boas ações, pois: "A fé sem obras é morta" (Tg 2:26).
O cristão deve ser desprendido dos bens materiais, ou seja, deve encará-los com moderação utilizando-os não para seus caprichos mas sim para suas necessidades e para auxílio às pessoas necessitadas. O orgulho, o individualismo, a soberba e o egoísmo são infames aos olhos de Deus.
A Igreja Ortodoxa ensina que cada pessoa é dotada do livre arbítrio pelo Criador, portanto, ela é responsável pelos seus atos. Deus ama-nos, tem piedade de nós pecadores e ajuda-nos em todas as nossas boas atitudes especialmente se nós chamarmos por Ele, pois nos prometeu: "Pedi, e vos será dado; buscai e achareis; batei e abrir-se-vos-á" (Mt 7:7).
Uma oração fervorosa clareia a mente, ajuda a superar obstáculos e a viver de acordo com os mandamentos de Deus. A oração ajuda-nos a aperfeiçoarmos as nossas capacidades espirituais e esse é o principal objetivo da nossa vida terrena.
Quando um cristão ortodoxo é acometido por doença ou infortúnio ele não deve difamar a Deus, mas deve lembrar-se que Ele nos permite o sofrimento para o nosso benefício espiritual, para a purificação dos pecados e para o fortalecimento da fé e das virtudes. Nos momentos difíceis da vida devemos rezar ao Pai Celestial: "Seja feita a Tua vontade, assim na terra como no céu."
Nós cristãos ortodoxos reverenciamos os santos, a Virgem Maria, os profetas, os apóstolos, os mártires, os reverendos (monásticos) e outros santos servos de Deus. Após a sua morte os santos não rompem seus vínculos conosco, mas passam ao domínio celestial da Igreja, denominado Igreja Triunfante. Lá, diante do Trono de Deus, eles oram por nós como se fôssemos seus irmãos mais jovens e ajudam-nos a alcançar o Reino dos Céus. Nós, os russos, lembramos com carinho a memória da rainha Santa Olga e de seu neto o príncipe Vladimir (apóstolo da Rússia), dos Santos Boris e Gleb, do justo São Sérgio de Radonej, de Santo Antônio e São Teodósio da caverna de Kiev, de São Serafim de Sarov, de São João de Kronstadt e muitos outros, incluindo os novos mártires russos do século XX. Outras nações ortodoxas deram-nos também muitos grandes santos, os quais são reverenciados por todos cristãos ortodoxos.
Os ofícios divinos da Igreja Ortodoxa seguem uma solenidade secular. O mais importante deles é a Divina Liturgia (serviço social). Uma parte específica da Liturgia é o sacramento da Santa Comunhão, quando os fiéis recebem o Corpo e o Sangue de Cristo em forma de pão e vinho e unem-se sagradamente a Ele conforme o Senhor disse: "Em verdade, em verdade vos digo: Se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o Seu sangue, não tereis a vida em vós" (João 6:54).
Antes da participação da comunhão, os fiéis ortodoxos confessam seus pecados a Deus com dignidade e coração puro, através de um sacerdote como foi ordenado pelo apóstolo Paulo e pelos ensinamentos da Igreja.
Para ajudar os cristãos a superarem o amor ao prazer, aos pecados e ás indolências espirituais, existem os dias de jejum. Desde a época dos apostólos há o hábito entre os cristãos ortodoxos de jejuar todas as quartas e sextas-feiras em memória aos sofrimentos do Salvador, assim como, jejuar antes da celebração do nascimento de Cristo Natal e especialmente na Quaresma antes da festa da Páscoa, cuja época é chamada de o Grande Jejum. Nos dias de jejum é proibido a ingestão de carnes e laticínios, deve-se evitar divertimentos fúteis, dedicar-se mais às orações e à literatura religiosa. A fé ortodoxa pede-nos também que façamos caridade, incluindo cuidados com a família, idosos, órfãos, viúvas, doentes, pobres e não permitindo ofensas a ninguém assim como o Próprio Nosso Senhor Jesus Cristo recomendou: "Não julgueis, para que não sejais julgados" (Mt 7:1).
O objetivo de nossa vida é o aperfeiçoamento moral contínuo: "Sede pois perfeitos, como também vosso Pai celestial é perfeito" (Mt 5:48).
Agora passaremos à análise histórica do surgimento e ensinamentos de outras Igrejas. As denominações cristãs existentes nos países ocidentais surgiram à partir do movimento luterano, que por sua vez surgiu como um protesto aos abusos da Igreja Católica Romana. Portanto, continuemos nossa descrição minuciosa começando pelo surgimento da Igreja Católica Romana (esta parte histórica foi elaborada por Igor A. Avtamonov com base no livro do Prot. Mitrofan Znosko-orovsky e de outras fontes).
.
A
pós a destruição de Jerusalém pelos romanos no ano de 78 d.C., a Igreja Cristã de Jerusalém deixou de existir temporariamente, destacando-se assim as congregações e as administrações romanas e a autoridade de seus bispos. Baseando-se na posição central de Roma como cidade imperial e na origem da cátedra à partir dos primeiros apóstolos, os bispos romanos já no terceiro século começaram a manifestar suas posições de liderança na Igreja, com o que não concordavam os bispos das províncias orientais do império romano.Já mencionamos a elevação eclesiástica e administrativa de algumas cidades e regiões do grande império romano partindo dos séculos II e III. Assim, Irineu de Lion era considerado o líder da Gália, Cipriano de Cartagena considerava os bispos da Mauritânia e Numídia como subordinados, os bispos de Alexandria chefiavam as Igrejas do Egito, os bispos Efésios tiveram lugar nas Igrejas da Ásia Menor e a Igreja Romana liderava a região romana. Conseqüentemente, de acordo com a deliberação do Concílio Ecumênico uma série de Igrejas foram consideradas como primazes devido a sua postura religiosa e civil. Isso não afetava a igualdade entre elas, pois todas as questões relativas à Igreja, eram resolvidas por todas as Igrejas representativas através do Concílio Ecumênico.
O 34° Cônego Apostólico declara: "Os bispos de qualquer povo devem reconhecer o Primaz, aceitá-lo como líder, não devem criar nada que supere seu poder e nem criar nada sem a sua concordância: cada um deve fazer somente aquilo que concerne a sua diocese e aos locais a ela pertencentes. Porém, o Primaz também não deve decidir nada sem a concordância de todos, pois isto preserva a solidariedade. Abençoado seja Deus o Senhor, Pai, Filho e Espírito Santo."
Nesse regulamento foi expressado com precisão, o princípio conciliar.
Em geral, os regulamentos apostólicos e dos antigos concílios não admitem a autocracia do Bispo Primaz nem tampouco o absolutismo da Igreja. A instância superior para a resolução de questões canônicas e religiosas pertence ao Concílio Episcopal Regional ou quando se necessita de reivindicação o caso é levado ao Concílio Universal.
As situações políticas da época, contudo, estruturaram-se de certa maneira que a influência do bispo de Roma continuava a crescer (dos Papas). Isso contribuiu para a invasão dos bárbaros no final do século IV e para a emigração dos povos europeus. Os ataques bárbaros avançaram pelas antigas províncias romanas lavando assim todos os vestígios do cristianismo. Entre os novos governos criados, Roma aparece como portadora da fé e da tradição apostólica. A elevada autoridade dos bispos romanos estimulou as inquietações religiosas do século IV ao VIII no império bizantino, onde os bispos de Roma eram considerados os defensores da ortodoxia. Com isso, gradativamente, os bispos romanos passaram a ter a convicção cada vez maior, de que foram convocados a governar a vida de todo o mundo cristão. Um novo impulso, para se solidificarem as atitudes absolutas e arbitrárias dos bispos romanos, deu-se no século IV com o decreto do imperador Graciano, que admitiu na pessoa do Papa romano "o juiz de todos os bispos" (um título portado pelos bispos romanos e alexandrinos significando "pai"). Já no século V o Papa Inocêncio declarou que, "nada poderá ser decidido sem a concordância do concílio romano especialmente nas questões de fé; todos os bispos devem transferir seus direitos ao apóstolo Pedro, que é a cabeça dos bispos romanos." No século VII o Papa Agafones reivindicou que todas as Igrejas assumissem o regulamento da Igreja de Roma retificados pelas palavras do apóstolo Pedro. No século VIII o Papa Estevão escreveu: "Eu sou o apóstolo Pedro pelo desejo de Deus, nomeado por vontade da Graça Divina de Cristo, Filho de Deus Vivo, estou encarregado por Seu poder de ser o iluminador de todo o mundo."
Inicialmente, todas essas crescentes pretensões dos Papas não eram levadas a sério pelos bispos orientais e não dividiam a Igreja. Todos eram vinculados pela unidade da fé, dos sacramentos e pela consciência de pertencerem a uma Única Igreja Apostólica. Mas, para a infelicidade do mundo cristão essa união foi destruída pelos bispos romanos no século XI e nos séculos seguintes, com adulterações e novas introduções no âmbito dos ensinamentos da fé (Dogmas) e nos cânones (Leis Eclesiásticas). A separação da Igreja Romana cresceu com a introdução de novos dogmas feitos por ela, acrescentando no Símbolo de Fé as palavras "e o Filho" e depois indicando que o Espírito Santo procede do Filho. Esse acréscimo e alteração de palavras no Credo chamou-se "Filioque" o que representa um profundo desvio na antiga teologia apostólica da Igreja. Depois eles desenvolveram uma nova e estranha doutrina incluindo o sistema de "Indulgências Papais," que dava a absolvição dos pecados através do pagamento em dinheiro à Igreja. Isso foi seguido por outros ensinamentos estranhos como a "Imaculada Concepção" da Virgem Maria, o purgatório, os méritos super impostos, o Papa como representante de Cristo e líder de toda a Igreja e dos governos seculares, e a chamada "Infalibilidade do Papa" nas questões da fé. Resumindo, o próprio ensinamento da natureza da Igreja começou a ser deturpado. Para justificar o seu poder de liderança os Papas romanos referiam-se às palavras ditas ao apóstolo Pedro pelo Salvador: "E Eu digo-te que tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra Ela" (Mt 16:18).
Os Santos Pais da Igreja sempre entenderam essas palavras no sentido de que a Igreja é edificada na fé em Cristo, a qual o apóstolo Pedro confessou, e não na pessoa de Pedro. Os outros apóstolos não consideravam Pedro como seu líder e no Concílio Apostólico em Jerusalém no ano 51 d.C. quem presidiu foi o apóstolo Tiago. Com relação a autoridade do apóstolo Pedro ele realizou a imposição de mãos em muitas cidades e não somente em Roma, mas também em Alexandria, Antióquia e outras. Porque os bispos não eram considerados nessas cidades como soberano supremo da Igreja? Se Pedro tivesse a hegemonia da Igreja seus sucessores poderiam também ser considerados como bispos dessas cidades. Além disso, o primeiro bispo da Igreja Romana foi Lino e não Pedro e Lino governou como bispo, enquanto o apóstolo Pedro estava em Roma. Uma análise mais minuciosa dessa questão leva-nos a uma conclusão honesta: o ensinamento sobre a liderança de Pedro na Igreja foi uma criação dos Papas romanos provocada pelo desejo veemente do poder, que levou-os ao extravio da verdadeira fé. Esse ensinamento não foi estabelecido pela Igreja Primordial.
As afirmações arrogantes sobre a supremacia do bispo de Roma, juntamente com o falso ensinamento que o Espírito Santo procede do Filho, ocasionou a divisão das Igrejas em Igreja Greco Oriental e Igreja Romana Ocidental (ou Católica). A data oficial da separação foi o ano 1054 d.C. (o Cisma), quando o cardeal romano Humberto colocou no altar de Santa Sofia em Constantinopla o decreto papal declarando maldição a todos aqueles que não tivessem de acordo com a Igreja Romana.
Na vida religiosa da Europa o século XI assinalou a vitória do Papado sobre o poder secular. Roma passa a ser a senhora do mundo. A tendência ao poder secular e a participação na luta política não era obra de Papas isolados, mas provinha de todo o sistema do Papado. O Papa Pio IX decretou um mandato a todos os católicos que aceitassem o regulamento dos Papas romanos por causa de seus poderes seculares. Pelo decreto do Papa nações inteiras portando cruz e espada avançavam até aqueles que o Papa nomeava seus inimigos. No século XIII o Papa não somente coroava reis e nomeava imperadores, mas também os destituía de seus poderes, solucionava disputas de príncipes e com uma única palavra ele provocava ou cessava guerras, autorizava os seus súditos a prestarem juramentos e outros.
Os Papas não se continham na luta pelo poder e utilizavam qualquer situação para lembrar as pessoas de sua "primazia" e "infalibilidade." Assim, o Papa Bonifácio VIII no ano de 1302 escreveu em sua Bula Papal: "Nós declaramos também que o Santo Clero Apostólico e o Sumo-Sacerdote de Roma são responsáveis por todo o mundo e que esse Sumo-Sacerdote é o descendente direto do apóstolo Pedro, príncipe dos apóstolos, representante de Cristo na terra, líder de toda a Igreja, pai e mestre de todos os cristãos." Palavras semelhantes podem ser encontradas na declaração do Concílio do Vaticano de 1870 que finalmente canonizou o dogma da "Infalibilidade" e a heresia da "Imaculada Concepção." No "Código do Direito Canônico" publicado em 1917 pelo Papa Benedito XV está escrito: "O Sumo-Sacerdote Romano sucessor do primeiro Santo Pedro, não tem somente a honra de ser o primeiro, mas o mais elevado poder supremo sobre toda a Igreja." Essas crescentes pretensões dos bispos romanos aumentavam cada vez mais a distância existente entre as Igrejas Católica e Ortodoxa. Uma coisa deve ser lembrada: antes do século XI apesar da crescente inquietação, a Igreja Ortodoxa estava em comunhão com os bispos romanos de crença correta; aqueles que tratavam com exatidão os princípios canônicos estabelecidos pelos apóstolos com relação a independência das Igrejas regionais; tanto era verdade que a Igreja Ortodoxa venera vários antigos bispos de Roma como santos, por exemplo, São Leão.
Na luta pelo poder secular sobre o mundo, os mais recentes bispos de Roma entram em contradição com os ensinamentos cristãos aprendidos, pois uma espada nas mãos dos "representantes" do dócil Salvador não era decente, afetando profundamente a essência do ofício episcopal. Muitos representantes da Igreja e de nações independentes começaram a tomar consciência disso. À partir do século XIV começa o declínio religioso e moral dos Papas. Seus poderes tornam-se cada vez mais seculares, com intrigas, suntuosidades e cobiça às riquezas terrena. O povo começa a ficar descontente sob o domínio despótico dessas representações do Papa. Um historiador alemão escreveu: "O clero comporta-se desrespeitosamente até nos ensinamentos da palavra de Deus; eles ignoram o Evangelho e os sermões dos Santos Padres, eles silenciam sobre a fé, sobre boas obras e outras bênçãos, eles não falam sobre os méritos do Salvador e Seus milagres... e essas pessoas detêm as mais elevadas posições na Igreja e são chamadas a serem pastores espirituais"!
Os resultados foram logo evidentes. No início do século XVI surgia na Alemanha o Protestantismo um protesto contra os abusos dos Papas romanos e principalmente contra a criminosa inquisição e torturas cometidas pela Igreja Romana e pela venda de indulgências papais.
Com o passar do tempo o Protestantismo se ramificou em várias seitas.
P
ara nós russos é importante analisar quais eram as relações entre Rússia e Roma durante a história dos 1000 anos que se passaram. Já na aurora do batismo da Rússia (no final do século X) o Papa romano enviou emissários a Corsunha com o objetivo de afastar o príncipe Vladimir de seu propósito da união com o bizâncio ortodoxo. Com a mesma finalidade foram enviados agentes a Kiev. O Papa tentou influenciá-los através dos reis da Polônia e da Tchecoslováquia, aproveitando-se para manipular a assembléia dos eslavos e príncipes da Europa. Em resposta à invasão tártara na Rússia os Papas enviaram suecos e venezianos armados. Sofrendo derrota na batalha contra o exército Russo chefiado pelo Príncipe Alexandre Nevsky o Papa ofereceu sua ajuda aos tártaros. Ele recebeu a seguinte resposta: "Deus não é encontrado na força humana, mas na verdade." O Papa respondeu com ofensivas armadas no século XIII e novamente na "Época de Dificuldades" de 1605 a 1612.O avanço ofensivo de Roma em oposição à Ortodoxia não foi interrompido durante todo o transcurso da história da Rússia. O Papa declarou a Polônia como "território missionário" da Igreja Romana. De 1919 a 1929 os católicos romanos desapossaram 43% dos templos ortodoxos na Polônia. Durante o primeiro quarto do século XX um novo órgão da Igreja Romana o "Rito Oriental" veio a ser a conversão dos ortodoxos ao catolicismo. Através da adoção de formas externas de adoração da Igreja Ortodoxa o "Rito Oriental" tentou seduzir cristãos ortodoxos para fora de suas Igrejas.
Quantas vêzes os prelados católicos afirmaram obstinadamente que "O Senhor varrerá com uma vassoura de aço o Oriente Ortodoxo para reinar a Igreja Católica." Em 1926 e 1928 o representante católico oriental viajou novamente para Moscou a fim de estabelecer a união com a Igreja Renovada e converter os internacionalistas marxistas. O padre jesuíta Schweiger afirmou que os bolchevistas estavam bem preparados para receber os missionários católicos e que o longo sofrimento do povo russo era a garantia dos esforços da pregação romana. Os fatos revelam que o comportamento agressivo do Vaticano para com a ortodoxia não cessou até os dias de hoje.
Principais diferenças entre a Ortodoxia e o Catolicismo.
1. O Catolicismo criou novos dogmas que não estão de acordo com os ensinamentos apostólicos e nem com as declarações dos sete Concílios Ecumênicos. Os maiores desvios da verdade são: a procedência do Espírito Santo "do Filho," a liderança e infalibilidade do Papa romano e a "Imaculada Concepção" (afirmativa que a Mãe de Jesus Cristo foi concebida sem pecado).
2. Os sacerdotes católicos têm que aderir ao celibato em oposição à tradição apostólica.
3. O Sacramento da Santa Comunhão na Igreja Católica não é realizado de acordo com a tradição apostólica, em lugar de pão e vinho eles utilizam a hóstia (o povo é destituído do vinho que é reservado para o clero, conseqüentemente são destituídos do Sangue de Cristo); o Sacramento do batismo é realizado pela aspersão da água e não pela imersão como era a tradição.
4. A Igreja Ortodoxa não reconhece o "purgatório" (um lugar entre o céu e o inferno onde as almas passam por uma espécie de purificação dos pecados); não admite a prática incorreta de indulgências; condena as atrocidades e torturas da inquisição causadas pela Igreja Católica e nem aceita a conversão dos cristãos ortodoxos ao catolicismo.
M
artinho Lutero era um educado monge católico e um homem de consciência ativa. Vivia tranqüilo em sua mocidade no ano de 1510 quando ele soube do mau procedimento da corte Papal e do clero romano. Isso afetou muito as suas opiniões teológicas e abalou a sua fé anterior no clero da Igreja Romana.Em 1516 ele descobriu que para manter financeiramente a construção da Catedral de São Pedro em Roma era amplamente difundida a prática da venda de "Indulgências Papais," ou seja, a Igreja Romana concedia o perdão dos pecados cometidos no passado e dos que seriam cometidos no futuro através do pagamento em dinheiro. Lutero falou abertamente contra essa lucrativa blasfêmia e desmascarou-a. Para seus adeptos espirituais ele esclarecia, que para a remissão dos pecados tinha que haver uma mudança interior no coração de cada um, perdoando ao próximo, pedindo perdão a Deus e para todos aqueles contra os quais se havia pecado. Surgiram conflitos entre Lutero e o monge dominicano Johannes Tetzel, que com o poder de sua força ameaçou Lutero e seus seguidores com a excomunhão da Igreja Romana e a serem queimados até a morte. Respondendo ao seu adversário, Lutero afixou no ano de 1517 nas portas da igreja de Wittenberg suas 95 teses, nas quais ele expôs sua opinião sobre as penitências, sobre a absolvição através da fé e sobre a sua condenação à venda de indulgências. A discussão de Lutero durou vários anos e terminou com a sua rejeição pela autoridade do Papa, pelo qual ele foi juntamente com seus seguidores excomungado da Igreja Católica. Lutero somente salvou-se da morte pela defesa do círculo de amigos de poder secular. Ele foi apoiado na Alemanha por vários sacerdotes, professores, estudantes, nobres e príncipes, iniciando-se assim entre Roma e os primeiros "Protestantes" o Cisma, que foi a separação de Lutero e de seus seguidores da Igreja Católica Romana.
O movimento para a purificação da Igreja contra os abusos e decretos papais não se limitou somente a Alemanha. Dois suíços U. Zwingli e Johannes Calvin prosseguiram com as reformas eclesiásticas indo além de Lutero em seus ensinamentos sobre a moral e sobre os sacramentos. A principal característica dos ensinamentos de Calvino era o estudo da predestinação, pela qual Deus destinou com antecipação desde o princípio somente algumas pessoas para a salvação e outras para a condenação eterna. Esse ensinamento, na realidade, exime as pessoas da necessidade de um esforço espiritual para a evolução como cristão e da realização de boas obras.
O Luteranismo e a sua evolução.
A
s pregações de Lutero e Calvino no começo centravam-se na pessoa de Jesus Cristo: "Não há outro caminho; Cristo é o único Caminho e a Verdade. Fora Dele é impossível encontrar Deus... Somente no corpo de Cristo pode Deus ser identificado, já que pelo envio de Seu Filho a terra, Deus nos revelou a Sua Vontade e o Seu Coração." No Pequeno Catecismo Luterano está escrito: "Lutero é um professor amado e abençoado das Escrituras Sagradas, que reformou a Igreja de Deus, através da restituição da pureza dos ensinamentos cristãos e da apresentação digna dos sacramentos."A essa luta pela purificação da Igreja associou-se elementos não-religiosos, combatendo com os acontecimentos papais políticos, econômicos e pessoais. Isso influiu negativamente sobre o desenvolvimento da reforma e seus ensinamentos, pois rejeitando a Roma, Lutero rejeitou também a necessidade da sucessão apostólica. Lutero recusou unir-se com a Ortodoxia embora ele estivesse parcialmente consciente da Igreja Ortodoxa Oriental. Colocando diante de si a questão do reestabelecimento dos ensinamentos da Igreja para a sua pureza apostólica, Lutero e seus seguidores não puderam resolver esse problema já que muitos séculos os separavam dos primeiros séculos do Cristianismo e eles não tinham experiências espirituais vivas, nem a sabedoria e criatividade dos pais e dos antigos mestres da Igreja. A educação escolástica medieval apresentava o Cristianismo do ponto de vista deturpado. Sua única fonte de interpretação era o raciocínio e a opinião pessoal e dessa maneira estabeleceu-se a distorção desde o começo.
A Igreja Ortodoxa repudiava os abusos da Tradição assim como os documentos e as arrogantes Bulas Papais de Roma, as quais eram estranhas à Palavra de Deus. Os Protestantes desviaram-se totalmente das Tradições Apostólicas rejeitando as experiências espirituais dos santos pais da Igreja, ignorando as determinações dos Concílios Ecumênicos e admitindo como único instrumento de fé somente as Escrituras Sagradas fazendo assim Dela interpretações arbitrárias.
Sem a base viva da Tradição da Igreja e sem a graça dos Sacramentos os Protestantes desviaram-se da verdade. De acordo com o entendimento ortodoxo a palavra de Deus é revelada na Bíblia, nos Evangelhos e na Santa Tradição que é revelada à Igreja pelo Espírito Santo. O apóstolo Paulo instruiu: "Permanecei, pois, constantes, irmãos, e conservai as tradições, que aprendestes, ou por nossas palavras ou por nossa carta" (2Tes 2:14).
Ο Santo apσ
stolo João escreveu: "Muitas outras coisas há que fez Jesus, as quais, se se escrevessem uma por uma, creio que nem no mundo todo poderiam caber os livros que seria preciso escrever" (Jo 21:25).São João Chrisóstomo escreveu: "Nem tudo foi revelado pelos apóstolos através de suas cartas e muito não foi escrito, mas ambos são dignos de fé. Isso é o que nós consideramos Tradição e Fé respeitável." Dessa maneira, muitos Pais da Igreja como São Basílio o Grande, São Irineu de Lion, Santo Agostinho e outros santos do primeiro século ensinaram-nos sobre a Tradição.
Em princípio o que o Protestantismo deixou como herança é uma rejeição da Tradição Apostólica. Eles aceitaram como Tradição o "cânone das Escrituras Sagradas" admitindo os dogmas cristãos primários: a Santíssima Trindade, a natividade do Filho de Deus e os três antigos símbolos de fé (Credos) onde esses dogmas são recordados. Rejeitando a autoridade dos antigos mestres da Igreja eles reforçaram a autoridade dos novos teólogos: Lutero, Calvino e outros.
Os Luteranos acreditam que a salvação e o perdão de nossos pecados são alcançados pelo Filho de Deus no Calvário e não pelas nossas obras, mas unicamente pela nossa fé. O dom da Graça de Deus é completamente dependente de Deus e de Sua vontade. Essa Graça agindo sobre o homem influencia-o para a fé em Cristo e isso vem a ser a única condição para a salvação, pois somente através de Cristo o homem pode tornar-se justo. A característica dessa crença é que a pessoa nunca duvida quanto ao recebimento da Graça de Deus. Através da fé a pessoa torna-se justa aos olhos de Deus e um filho de Deus justificado por causa de Cristo. Resumidamente, esse é o ensinamento da justificativa pela fé, o qual é a base e fonte de todos os dogmas protestantes. As Escrituras Sagradas não nos dão razão para aceitar o ensinamento Luterano, pois ele oculta elementos que levam à destruição da moral cristã. Esse dogma contradiz a Palavra de Deus e é a fonte da má interpretação das palavras dos santos apóstolos. Lutero assumiu no sentido literal as palavras do apóstolo Paulo: "Porquanto sustentamos que o homem é justificado pela fé sem as obras da lei" (Rom 3:28). "Mas, como sabemos que o homem não se justifica pelas obras da lei, senão pela fé de Jesus Cristo" (Gál 2:16).
O apóstolo Paulo através dessas palavras não rejeitou as boas obras, mas foi contra a falsa auto-confiança dos mestres hebreus, os quais acreditavam que a salvação era obtida pelas obras externas de acordo com a lei de Moisés: circuncisão, observância do sábado, o lavar das mãos e outras leis judaícas. O mesmo apóstolo escreveu em sua epístola aos romanos que no juízo final Deus julgará o homem segundo as suas obras (Rom 2:6 ). O apóstolo João escreveu: "Meus filhos, amemos uns aos outros não com palavras mas com ações" (Jo 3:18). Assim escreveu o apóstolo Tiago: "Que aproveitará, irmãos meus, se alguém diz que tem fé e não tem obras? Porventura poderá salvá-lo tal fé?...Assim como o corpo sem espírito é morto, também a fé sem obras é morta" (Tg 2:14-26).
O próprio Cristo disse que até os homens pervertidos podem ter fé no sentido de admitirem a existência de verdades religiosas, mas essa fé é insuficiente para a salvação:
"Nem todo o que Me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos Céus; mas o que faz a vontade de Meu Pai, que está nos Céus, esse entrará no Reino dos Céus" (Mt 7:21).
Rejeitando os desvios nos ensinamentos da Igreja Católica Romana o próprio Lutero cometeu desvios, já que ele rejeitou não somente a teologia do clero e os sacramentos, mas também os ensinamentos apostólicos da Igreja. Lutero disse que a verdadeira fé é encontrada na Igreja, onde a Palavra de Deus é pura e os sacramentos são administrados corretamente. Mas, onde estão os critérios para a pureza da Palavra de Deus e administração correta dos sacramentos, quando ele próprio rejeitou as experiências espirituais da antiga Igreja, a Tradição e os decretos dos sete Concílios Ecumênicos substituindo-os com seus próprios pensamentos independentes?
Lutero disse: "A vocação espiritual é o direito de todos os cristãos. Todos nós somos sacerdotes, isto é, todos nós somos filhos de Cristo, o Qual é nosso Sumo-Sacerdote. Não temos a necessidade de nenhum outro sacerdote a não ser Cristo, porque cada um de nós foi escolhido pelo Próprio Deus... nós todos nos tornamos sacerdotes pelo batismo." De acordo com ele qualquer um na Igreja pode pregar a Palavra de Deus e administrar os sacramentos. Os pastores e administradores são responsáveis pela organização. Eles são escolhidos pela congregação de membros, os quais estão preparados para ensinar os adeptos da Igreja. A escolha dos decanos é realizada pelo clero com a imposição das mãos sobre os mesmos. Aqui não há a sucessão apostólica e nem o clero espiritual, mas somente a tarefa administrativa para os serviços do pregador.
Essa afirmação é totalmente contrária ao método e à compreensão do papel do clero na Igreja tradicional, e é incorreta, visto que Jesus Cristo e os apóstolos nunca designaram nenhuma organização na Igreja semelhante a essa. Na realidade, durante os 40 dias após a Sua ressurreição o Senhor falou com os apóstolos sobre o "Reino de Deus" (Atos dos Apóstolos), isto é, a Igreja organizada, a qual é representada pela reunião de fiéis. Somente aos apóstolos Ele deu o direito de administrar os sacramentos e ensinar a fé:
"Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Foi-Me dado todo o poder no céu e na terra. Ide, pois, ensinai todas as gentes, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinando-as a observar todas as coisas que vos mandei. Eu estarei convosco todos os dias, até ao fim do mundo" (Mt 28:18-20).
Da mesma maneira, concernente ao direito dos apóstolos de direcionarem as pessoas para a Salvação está escrito:
"Ele disse-lhes novamente: A paz seja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós. Tendo dito estas palavras, soprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo" (Jo 20:21-22).
Os próprios apóstolos testemunham que não foi a comunidade dos fiéis, mas sim o próprio Senhor que os chamou para o ministério apostólico Dele: "Paulo, apóstolo, não pelos homens nem por intermédio de um homem, mas por Jesus Cristo e por Deus Pai, que O ressuscitou dos mortos..." (Gál l:l).
Os apóstolos progrediram, conservaram e por sucessão transferiram o dom e a estrutura da Igreja, a qual foi estabelecida pelo próprio Senhor; eles próprios efetuavam a imposição das mãos nomeando assim os seus sucessores, os bispos e o clero.
Os ensinamentos de Lutero sobre a justificação através da fé acarretou aos Luteranos mu dança de opinião com relação aos Sacramentos ― que para eles têm somente um significado simbólico ― considerando suas forças originadas na fé pessoal daqueles, os quais veneram e reivindicam que na sua fé cada um é justificado. Os Luteranos conservaram apenas dois sacramentos e desses dois somente a forma externa, isto é, o batismo e a comunhão conforme ensinados pelo próprio Salvador. Entretanto seus ensinamentos com respeito a esses Sacramentos são peculiares e alheios para a antiga tradição da Igreja. O resultado, é a falsa espiritualidade identificada nos Luteranos em forma de misticismo, uma maneira pretenciosa na comunicação com Deus durante os ofícios divinos e em particular durante a apresentação dos Sacramentos.
Os Protestantes negam o contato entre os vivos e os irmãos que partiram para Deus, rejeitam a necessidade de orar pelos mortos e de interceder por eles junto aos santos. A razão para essa rejeição é puramente racional: porque preocupar-se em orar pelos mortos se o julgamento de Deus para com eles não pode ser mudado, especialmente já que Cristo redimiu-os perante a Deus? Esse ensinamento leva à passividade moral.
O Protestantismo em suas formas liberais difundidas rejeitou o valor da experiência eclesiástica em favor de seus próprios sofrimentos pessoais e experiências farisaícas. Se isso é correto porque é então necessário o poder e a misericórdia de Deus? Se "minha salvação é absoluta e alcançada" onde está a necessidade de cada um diariamente pegar a sua cruz e seguir a Cristo; e qual é ainda a necessidade que temos de Sua ressurreição? No início dos anos 40, o Protestantismo sofreu falhas nos ensinamentos de Lutero sobre o Filho de Deus e sobre nossa salvação através Dele. Em nosso tempo, 80% dos pastores da cidade de Hamburgo recusam a Divindade de Jesus Cristo e possuem suas Igrejas espalhadas. Devemos também ressaltar que nos últimos anos os Luteranos escolheram mulheres para pastoras e que eles abrangeram todos os tipos de imoralidade possível. Uma coisa deve ser notada, a Igreja Luterana se desenvolveu na imparcialidade e hoje se ouve dizer entre eles: "Nós não temos Igreja"! É observado em muitos Luteranos que possuem a sede da verdade, um crescente interesse na Ortodoxia.
O movimento Luterano desde a época de Lutero rejeitou os valores da experiência viva da Igreja: a santa Tradição, a devoção à Virgem Maria e aos santos, as orações pelos mortos, a estrutura administrativa da Igreja, os Sacramentos, os ícones e o Sinal da Cruz, considerando somente adequada a fé para obter o Reino dos Céus. Esses desvios Luteranos do Cristianismo criaram um abismo entre eles e a verdadeira fé da Igreja Santa Universal e Apostólica.
,
a Igreja reformada e o Presbiterianismo.
C
alvino deixou a reforma na Suíça e difundiu seus ensinamentos pelo sudoeste da Alemanha, Holanda (a Igreja reformada), França (os Huguenotes), Escócia, Inglaterra e América do Norte, com o nome de Presbiterianismo. Calvino juntou à crença de Lutero o ensino sobre a "predestinação incontestável." Os ensinamentos de Lutero preservou até certo ponto as bases do Cristianismo e nada fala do Judaísmo, porém para Calvino os elementos do Judaísmo e do Paganismo são tão evidentes que o Calvinismo dificilmente pode ser considerado uma doutrina cristã. Segundo Calvino a "predestinação Divina" é a idéia de que Deus tenha chamado eternamente algumas pessoas para a salvação e outras para a condenação independente da vontade de cada um. A predestinação à salvação eterna consiste de um pequeno grupo de pessoas selecionadas por Deus através do poder de Sua decisão inteligível sem depender de nossa escolha. Por outro lado, nenhum esforço é possível para salvar aqueles os quais são predestinados à condenação eterna. As boas ou más obras servem para a satisfação das predestinações de Deus e simplesmente cumprem o que já foi decidido.Se essa idéia é verdadeira, qual o propósito de Jesus Cristo nos ensinar tão relutantemente como viver e esforçar-se para avançar no caminho estreito? Qual o significado da oração, da confissão e da retidão de nossos caminhos? O Calvinismo consiste de uma simples declaração de um fragmento dos escritos do apóstolo Paulo, extraído do contexto geral, e que é a base de seu ensinamento sobre a predestinação. O verdadeiro significado desta declaração somente pode ser compreendido corretamente se for analisado o texto como um todo, onde o apóstolo declara que a justificação (absolvição) não é um direito de posse exclusivo do povo judeu: "Porque nem todos os que descendem de Israel, são israelitas; nem os que são da linhagem de Abraão são todos seus filhos" (Rom 9:6-7).
Aqui o apóstolo Paulo contraria os judeus que consideravam os pagãos como rejeitados por Deus e a si próprios exclusivamente, como os filhos do Reino dos Céus (pela origem e pela lei de Moisés). O apóstolo afirma que a graça da salvação de Deus estende-se sobre todas as pessoas e Ele chama para a salvação não somente os judeus mas também os pagãos. O ensinamento de Calvino é influenciado em parte pelo Judaísmo, o qual afirma que somente os escolhidos de Deus são predestinados para a salvação, os outros são determinados à condenação.
Entretanto, a Palavra de Deus ensina que: "Em verdade, isto é bom e agradável diante de Deus nosso Salvador, o Qual quer que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade" (1Tim 2:3-4). "Não retarda o Senhor a Sua promessa, como alguns pensam, mas usa de paciência convosco, não querendo que nenhum pereça, mas que todos se convertam à penitência" (2Pdr 3:9).
Os ensinamentos de Calvino contradizem a compreensão sobre a Santidade de Deus. De acordo com ele parece que Deus é culpado da crueldade e das obras favoritas, escolhendo alguns para a eternidade e salvação e outros para a condenação. Em seus ensinamentos está a influência do Paganismo que admite a existência de uma força fatal impessoal denominada destino. Isso leva a uma atitude indiferente para as boas e más ações recusando o livre arbítrio do homem, considerando o pecado natural e inevitável contra o qual efetivamente nenhum combate existe, pois mesmo a oração e o arrependimento são inúteis. Calvino rejeita as normas do Cristianismo e considera os Sacramentos meramente simbólicos, ensinando que a transsubstanciação do Corpo e Sangue de Cristo não é uma realidade. Na Escócia, o Calvinismo (Presbiterianismo) foi admitido pelo parlamento governamental em 1592 como religião oficial. Os Presbiterianos sob o nome de "puritanos" solicitaram ao rei da Inglaterra a liberdade de cultuar em sua fé pedindo uma simplificação dos ofícios divinos, rejeitando símbolos como: a imagem da Cruz, o Sinal da Cruz durante o batismo e outras práticas cristãs tradicionais externas, forjando assim uma seita que era totalmente nova. Eventualmente, eles começaram a emigrar primeiro para a Holanda e depois para as colônias americanas para fugir das autoridades da Inglaterra. A estrutura do Presbiterianismo consiste em uma assembléia da Igreja, a qual elege seu próprio clero e cada Paróquia é liderada por um presbítero. A função do bispo é inexistente. A cerimônia religiosa consiste em ouvir orações criadas pelos presbíteros, uma pregação e o canto de salmos. A Comunhão é servida aos fiéis sentados ao longo de uma grande mesa, os casamentos são realizados nas residências e as orações pelos mortos são lidas também em casa. Não possuem ícones e o Símbolo de Fé e as orações litúrgicas tradicionais foram alteradas, a oração do Senhor o "Pai Nosso" é considerada desnecessária.
O Anglicanismo.
A
seita anglicana é uma combinação das doutrinas do Catolicismo, Luteranismo e Calvinismo. Vários séculos antes da Reforma, surgiu na Inglaterra uma oposição quanto a dominação tirana da Igreja Católica Romana principalmente sobre os problemas nacionais, econômicos e religiosos. Os inglêses estavam indignados quanto a constante interferência dos bispos de Roma nos assuntos internos do país, com as limitações excessivas que Roma fazia quanto às questões de caráter secular e político da Inglaterra, com o desfalque financeiro causado pelos enormes tributos da Igreja para sustentar Roma, com o indisciplinado clero romano e assim por diante.O impulso para o rompimento das relações entre Inglaterra e Roma em 1532 veio do rei Henrique VIII, quando o Papa não concedeu-lhe o divórcio eclesiástico com sua espôsa Catarina de Aragão. No início, nenhuma reforma eclesiástica evidente teve lugar com exceção do rei Henrique que declarou-se chefe da Igreja. Ele fechou vários mosteiros e mudou o sistema de "dízimo" que era anteriormente um imposto pago diretamente à Igreja e a favor de Roma. Mais tarde, sob a influência dos Protestantes que invadiram a Inglaterra o rei ordenou que todos os ensinamentos da Igreja provenientes de Roma fossem revistos. Em 1536 o Parlamento eleito instituiu os "Dez Artigos do Ensinamento da Fé" que veio a ser uma mistura das doutrinas Protestante e Católica. Em 1552 apareceu uma nova doutrina com 42 artigos apresentando uma nova confissão de fé; surgiu depois o "Catecismo Menor" onde estava escrito que muitos rituais como a bênção da água e o tocar dos sinos da Igreja eram considerados de natureza supersticiosa e foram abolidos.
Durante o reinado de Eduardo VII esses regulamentos foram revistos e os 42 artigos sobre a doutrina inglêsa foram formalmente aceitos e publicados. Assim foi estabelecida a Igreja Anglicana (Episcopal) da Inglaterra.
Deu-se início a luta dos partidos religiosos e no ano de 1559 a rainha publicou uma nova doutrina de fé composta de 39 artigos obrigatórios ao clero e ao povo. Nesses artigos haviam dogmas de acordo com a Ortodoxia: um Deus Único em Três Pessoas, o Filho de Deus, a rejeição do purgatório, da indulgência e do Papa como cabeça da Igreja. Os ofícios sagrados tinham que ser celebrados em inglês, porém herdaram erros do latim referentes à proveniência do Espírito Santo que dizia "e do Filho." Do Luteranismo eles adotaram erros como a absolvição unicamente pela fé, a rejeição dos sete Concílios Ecumênicos, a não reverência aos ícones e às relíquias sagradas. O artigo 25Ί não aceita como sacramentos a confissão, a unção, o casamento e o sacerdócio. A Igreja Ortodoxa não pode concordar com essas crenças e não existe esperança de modificação da postura da Igreja Anglicana, pois ela é dependente do Parlamento que é constituído de maçons, pessoas da religião judaíca e inclusive ateus. O Parlamento inglês em relação aos problemas religiosos possui um papel decisivo. O rei é o líder da Igreja Anglicana e presta um juramento durante a sua coroação: "Declaro e juro sinceramente diante de Deus a minha fé, e que no sacramento da comunhão não ocorre a transformação do pão e do vinho no verdadeiro Corpo e Sangue de Cristo antes ou depois da bênção dos Dons Sagrados e seja por quem for administrado. Acredito que o reconhecimento e veneração à Virgem Maria e aos santos, assim como o significado de sacrifício da Liturgia é contrário aos ensinamentos protestantes." Em 1927 e novamente em 1928, o Parlamento rejeitou por duas vêzes o novo livro da Palavra de Deus aprovado pelos seus líderes espirituais e pela Câmara dos Lordes, porque foi introduzida a invocação ao Espírito Santo na cerimônia da Liturgia, assim como a administração da Eucaristia para a comunhão dos doentes.
N
essa primeira parte do texto nós revelamos que a Igreja verdadeira pode ser somente uma. Ela deve ser ininterruptamente originada da Igreja apostólica conservando a pureza da fé e a sucessão apostólica da espiritualidade no clero. Os fiéis recebem as graças espirituais através dos sacramentos da Igreja, especialmente na Santa Comunhão que vem a ser o verdadeiro Corpo e Sangue de Cristo. A Igreja Ortodoxa sustenta e possui sempre essa doutrina. Nós examinamos rapidamente os ensinamentos apostólicos fundamentais que permaneceram imutáveis na Igreja Ortodoxa e analisamos também várias ilusões espirituais nascidas do orgulho, que tem deixado muitos fiéis afastados da Igreja verdadeira em um processo contínuo de fragmentação e crescente erro.Depois desejamos apresentar ao leitor a história da expansão da Igreja Católica Romana, que foi no inicío, o ramo ocidental da única Igreja de Cristo.
A crescente sede do poder dos bispos romanos no século XI ocasionou a separação entre a Igreja Católica Romana e a Igreja Ortodoxa. Convencidos de sua infalibilidade os bispos romanos permitiram gradualmente uma série de inovações no ensinamento cristão e na administração dos sacramentos. A saída da Igreja Católica Romana da pureza da fé apostólica deu origem por sua vez ao movimento protestante, do qual surgiram as inúmeras seitas hoje existentes.
Nós discutimos a origem e a opinião de algumas dessas seitas como: o Luteranismo, a Igreja Reformada, o Calvinismo e o Anglicanismo.
Na segunda parte apresentaremos informações sobre os Batistas, Quakers, Pentecostais, o atual "dom das línguas," Metodistas, Menonitas, Mórmons, Adventistas do Sétimo Dia, Testemunhas de Jeová, "Ciência Cristã," "Humanismo Secular," Comunidades e cultos pseudo-religiosos, heresias e seitas na Rússia, Uniatas e o "Rito Oriental Católico," Judaísmo, Islamismo, Budismo e Ateísmo. Na conclusão nós examinaremos a presente pesquisa desses grupos.
E
sta brochura é a segunda e última parte de nosso pequeno esboço sobre as seitas cristãs contemporâneas. Essas duas partes introduzidas ao leitor são constituídas da história e dos ensinamentos de vários ramos dessas seitas, cuja informação e pesquisa aprofundada o ajudará na sincera busca para encontrar a grande vantagem da Igreja Ortodoxa sobre as outras Igrejas, pois a Igreja Ortodoxa mostra que está voltada às origens do primeiro século e que conservou a pureza da fé dos apóstolos e a sucessão apostólica. A Igreja Católica Romana tinha essa sucessão e essa pureza de fé, porém extraviou-se. As outras seitas cristãs surgiram recentemente e cada uma delas por um caminho diferente, outras quebraram a tradição apostólica mudando até certo ponto a fé cristã não conservando as bênçãos da sucessão.Aquelas que tinham ou não os atributos da Igreja verdadeira como: a Ortodoxia, a Católica Romana, o Protestantismo, o Luteranismo, o Calvinismo (a Reforma), o Presbiterianismo, o Anglicanismo, foram estudadas na primeira parte desta brochura. Agora iremos ver as denominações que se originaram mais tarde.
A
seita dos Batistas desenvolveu-se dos "puritanos" inglêses. A característica peculiar deles é a rejeição do batismo da criança. A primeira paróquia surgiu na Inglaterra por volta de 1633 e em 1639 foi transferida para a América do Norte estabelecendo sua sede em Rhode Island, a qual tinha como líder Roger Williams. No início esse movimento não obteve sucesso, mas no final do século XVIII foi criada a "União Missionária ou Batista" com o objetivo de pregar entre os negros americanos e ser livre de dogmas, ritos e simbolismos. Isso foi recebido positivamente pelos americanos de posse, os quais apoiaram-na financeiramente. Surgiram orfanatos, asilos, escolas, cursos, hospitais e um grande número de missionários voluntários. A partir dessa época os Batistas encontraram novos seguidores na Inglaterra, Alemanha, penetraram na China, Japão, Índia, Polônia e mais tarde na Rússia. A "União Batista" estabelecida nos EUA desde 1814 começou a dispor de enormes somas financeiras e sua propaganda sobressaiu-se pelo resto do mundo como missionária. Ela foi introduzida na Rússia através da Alemanha onde o centro do movimento estava estabelecido na cidade de Hamburgo por volta de 1834 por J. G. Oncken.Com o tempo eles se dividiram formando uma série de ramificações. A divisão começou no final do século XVII quando se separaram em duas partes: os "particulares" que aceitaram os ensinamentos de Calvino sobre a predestinação incontestável e os "gerais" ou "Batistas do Livre Arbítrio" que admitiam para todos a graça salvadora de Deus que é conseguida pelo livre arbítrio do homem. Na Rússia pré-revolucionária os "particulares" rejeitaram os juramentos, o serviço militar e os julgamentos, no entanto atualmente eles não possuem uma rejeição tão aberta do governo e das autoridades civis.
Existem alguns Batistas com uma inclinação para o Judaísmo que são os "Batistas do 7Ί Dia" ou "Batistas Cristãos," os quais celebram o sábado (sabatarianos), rejeitam o ensinamento da Santíssima Trindade, o inferno, o demônio e os dias santos (é como se eles contradissessem as Escrituras Sagradas). Existem outros que ensinam sobre duas descendências de Eva, sendo uma delas a do demônio, assim como muitos livros hebraicos do apócrifo têm ensinado. Outra ramificação dos Batistas são os Cristãos Evangélicos, os "Shtundists," os Evangelistas "Casca Dura" e muitos outros. Os Batistas são característicos em suas hostilidades para com a Ortodoxia. Todos os seus segmentos se unem na rejeição do batismo infantil e uma das razões para essa rejeição é a afirmação de que as crianças (filhos de cristãos) são limpas pelo Sangue de Cristo e portanto não necessitam ser batizadas. Eles citam as palavras de Cristo a Seus discípulos: "Ide, pois, ensinai todas as gentes, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo" (Mt 28:19). "O que crer e for batizado, será salvo; o que, porém, não crer, será condenado" (Mc 16:16).
Eles afirmam que com essas palavras são chamados para o batismo somente os adultos e não as crianças.
Esse ensinamento sobre o batismo contradiz as Escrituras Sagradas e as práticas da Igreja tradicional, pois nas Escrituras Sagradas exige-se o batismo para todas as pessoas incluindo as crianças. O próprio Cristo respondeu a Nicodemos: "Em verdade, em verdade te digo que quem não renascer da água e do Espírito Santo, não pode entrar no Reino de Deus" (Jo 3:5).
Quanto às crianças ele disse: "Deixai os meninos, e não os impeçais de vir a Mim, porque deles é o Reino dos Céus" (Mt 19:14).
Um conhecido escritor cristão dos meados do século III chamado Orígenes testemunhou que o batismo infantil teve início no tempo dos apóstolos. No Novo Testamento o sacramento do batismo substituiu o hábito da circuncisão do Antigo Testamento, o qual era um protótipo do batismo e era realizado logo após o nascimento da criança. No livro Atos dos Apóstolos há exemplo onde famílias inteiras foram batizadas, nas quais indubitavelmente haviam crianças. Assim quanto mais cedo a pessoa aceitava o batismo, mais cedo ela se incorporava à Igreja e era portanto abençoada na vida e seu crescimento físico e espiritual prosseguia simultaneamente.
Os Batistas e os Protestantes não possuem um ensinamento claro e preciso sobre a Igreja e além disso eles rejeitam os ensinamentos apostólicos sobre ela. Um dos líderes da Igreja Batista, H. Phillips, disse na conferência realizada em Edinburgo em 1937: "Eu sou incapaz de formular nosso ensinamento sobre a Igreja." Existem outras declarações semelhantes de outros líderes Batistas. Um traço característico dos sectários principalmente dos Batistas e suas ramificações vem a ser a certeza de sua salvação. Isso provem da crença inerente ao ensinamento protestante, que a salvação é adquirida automaticamente através da fé em Cristo. Eles sustentam suas convicções através de citações isoladas extraídas do contexto das Escrituras Sagradas: "Em verdade, em verdade vos digo: O que crê em Mim, tem a vida eterna" (Jo 6:47). "Estas coisas vos escrevo, para que saibais que tendes a vida eterna, vós, que credes no nome do Filho de Deus" (1Jo 5:13).
Essas palavras não podem ser analisadas isoladamente daquelas que as precedem e nem daquelas que as seguem, elas precisam estar inseridas e ser comprendidas de acordo com o contexto geral. As Escrituras Sagradas fazem distinções entre a fé morta e a fé verdadeira, entre a fé que salva e a fé que não salva.
"Que aproveitará, irmãos meus, se alguém diz que tem fé e não tem obras? Porventura poderá salvá-lo tal fé?... Assim também a fé, se não tiver obras, é morta em si mesma" (Tg 2:14-17).
"Tu crês que há um Deus? Fazes bem; mas também os demônios crêem, e tremem" (Tg 2:19).
Esse é o exemplo da fé morta que não pode salvar.
Portanto, não é suficiente acreditar no sacrifício de Cristo, cada um tem que levar a sua cruz e seguí-Lo.
"O que não leva a sua cruz e não Me segue, não pode ser Meu discípulo" (Lc 14:27).
E Cristo disse ainda:
"Aquele, porém, que perseverar até ao fim, será salvo" (Mt 10:22).
"Quakers" (Quacres).
(Sociedade de Amigos)
S
imultaneamente com os Batistas surgiu na Inglaterra e na Escócia a seita dos "Quakers" fundada por G. Fox. Levado por suas reflexões religiosas em um estado de devaneio, ele considerou-se convocado por instâncias superiores para estabelecer o verdadeiro Cristianismo e em 1647 iniciou suas pregações.Como um simples artesão e fiel à leitura da Bíblia ele observou a variedade de interpretações da Igreja Anglicana com respeito à fé. Não obtendo respostas as suas perguntas ele chegou a rejeitar totalmente as Santas Tradições, aos mestres da fé, aos teólogos, as doutrinas oficiais e o Símbolo de Fé. Além disso ele chegou às seguintes conclusões:
Ao mesmo tempo, os Quakers colocam a "iluminação" direta pessoal acima das Escrituras Sagradas e interpretam-Nas de acordo com essas iluminações pessoais; com esse tipo de enfoque as más interpretações e os desvios são inevitáveis. Conseqüentemente, eles rejeitaram a hierarquia e a sucessão apostólica não possuindo também os sacramentos do batismo e da Santa Comunhão. Em seus encontros, após a leitura das Escrituras Sagradas eles fazem um chamado "silêncio construtivo," é o silêncio e a concentração onde ao mesmo tempo eles esperam a descida do Espírito Santo. Se algum dos presentes sentir-se "iluminado" pelo Espírito Santo, seja qual for a sua posição social, homem ou mulher, ele passará a ensinar, a profetizar e essas instruções serão tidas pelos demais como uma revelação superior, que devem ser usadas como um guia na fé e na vida.
E
m meados do século XX surgiu nos EUA um movimento denominado "Carismático" (do grego chares = benefício), que estava direcionado a restaurar na sociedade moderna os dons que a Igreja apostólica original tinha e em particular o "Dom das Línguas" uma habilidade de falar em diferentes idiomas. Esse movimento atraiu várias Igrejas Batistas e Protestantes. Na realidade os Protestantes em um senso geral uniram-se ao movimento "Carismático," porque eles não possuem a sucessão apostólica e nem a renovada graça dos Santos Sacramentos.O movimento Carismático prometeu dar um novo sopro espiritual à vida das Igrejas Protestantes e tornou-se popular em pouco tempo, começando a surgir nos EUA inúmeros grupos de "Pentecostais." Esse movimento atingiu outras Igrejas de orientação cristã mais tradicional. De vez em quando, eles se reunem em grandes congressos trazendo adeptos de todas as partes do mundo, inclusive dos EUA. Devido a falta de uma estrutura administrativa concreta é difícil determinar o número total de membros, que recentemente começaram a se expandir pela Europa e Rússia.
Um traço comum nos Pentecostais é a tendência à iluminação bem-aventurada e à manifestação do "dom das línguas." A maioria deles aceita a Santíssima Trindade, o pecado original e acreditam que o Salvador e Seu Sacrifício Redentor veio de Deus Pai. Eles aceitam o batismo pela imersão e a comunhão "Última Ceia" que é realizada juntamente com o ritual do "Lavapés." A sucessão apostólica, o sacerdócio e os outros sacramentos são rejeitados por força de sua origem Protestante.
A denominação "Pentecostal" provem de seu entendimento pela descida do Espírito Santo sobre os apóstolos no dia de Pentecostes (50° dia após a ressurreição de Cristo). Eles pregam que da mesma maneira como os apóstolos receberam os Dons do Espírito Santo, eles também Os recebem no momento do batismo e da oração comunitária, juntamente com a habilidade milagrosa de falar em diferentes idiomas. Para obterem esses "dons" os Pentecostais recorrem a diversos metodos artificiais durante seus encontros: eles inspiram-se através do cântico uníssono de orações, batem seus pés ritmicamente, batem palmas e de tempos em tempos cantam em coro as palavras "aleluia" e "amém." O objetivo é injetar artificialmente em si próprio bons sentimentos e chegar ao êxtase. Alguns de seus membros com sistema nervoso mais susceptível entram em transe histérico, começam a rir freneticamente, a gesticular e a murmurar palavras ou frases incompreensíveis.
Encontros sectários de orações sem benefícios não podem satisfazer as necessidades espirituais de um cristão.
"dom das línguas."A
pesar de todas as tentativas artificiais dos Pentecostais e de outros "Carismáticos" em recriarem o milagre que ocorreu com os apóstolos no dia de Pentecostes, algo ocorre, mas que em nada se assemelha ao milagre verdadeiro. O autêntico e milagroso "Dom das Línguas" ocorrido no dia da descida do Espírito Santo sobre os apóstolos é descrito no capítulo 2 do livro dos Atos dos Apóstolos. A importância e o propósito dos Dons do Espírito Santo, entre eles o "Dom das Línguas," São Paulo apóstolo explica nos capítulos 12 a 14 de sua epístola aos Coríntios I. Esse "Dom" era indispensável aos apóstolos para a divulgação do Evangelho entre diferentes nações. Ao obtê-lo, eles eram capazes de pregar na língua nativa dos povos de diversas nacionalidades, e graças a isso a Igreja começou a se expandir muito rapidamente. Entretanto, conforme conhecemos pela história, esse "Dom" desapareceu rapidamente depois disso. À medida que foram surgindo novos cristãos nas mais diversas nações e que estavam qualificados a pregar em suas línguas nativas, a necessidade do milagre de falar diferentes idiomas começou a diminuir ao mesmo tempo. Portanto, na época de São Irineu de Lion em meados do século III o "Dom das Línguas" já era mencionado como um acontecimento raro.Da epístola de São Paulo apóstolo aos Coríntios II nós podemos concluir que o "Dom das Línguas" era mais difundido na Igreja de Corinto do que em outras Igrejas. Naquela época, esse "Dom" era uma das dádivas espirituais recebidas por alguns cristãos após o batismo e após a "imposição das mãos pelos apóstolos" sobre suas cabeças. Porém, nem todos que recebiam esse "Dom" usavam-no com dignidade e o apóstolo Paulo acautelou-os a não usá-lo indevidamente. Durante os encontros de orações alguns cristãos em Corinto começaram a falar em idiomas estrangeiros sem necessidade alguma e a maioria deles provavelmente o faziam para exibir-se uns perante os outros. O apóstolo Paulo explica que:
"As línguas, pois, são um sinal, não para os fiéis, mas para os infiéis" (1Cor 14:22).
Em outras palavras, o "Dom das Línguas" era necessário às obras missionárias para a conversão dos pagãos ao Cristianismo e não para os que eram batizados. Além disso, o "Dom das Línguas" tinha um aspecto negativo nas orações quando usado inoportunamente. Por exemplo, quando durante os ofícios sagrados várias pessoas começavam a falar simultaneamente em diferentes idiomas, os quais eram incompreensíveis para a maioria dos fiéis, a ordem dos ofícios era perturbada e dispersava-se o espírito de meditação. Para evitar o uso impróprio desses "Dons" o apóstolo Paulo explicava aos cristãos de Corinto que esse dom era o menor de todos entre uma série de outras dádivas divinas que são necessárias para o crescimento espiritual do homem; que eles agiriam melhor se ao invés de pedirem o "Dom das Línguas" rogassem a Deus para que Ele os enriquecessem com os dons da fé, da temperança, da paciência, do amor, da sabedoria e de outras dádivas semelhantes. Se compararmos o apostólico "Dom das Línguas" com o atual "Falar em Línguas" poderemos notar uma grande diferença. Nos tempos apostólicos os cristãos obtiveram uma dádiva da verdadeira linguagem falada, uma línguagem humana usada com propósitos missionários. As "Línguas Faladas" pelos atuais pentecostais não são nada mais do que murmúrios inexpressivos, na maior parte isolados, sem nenhuma conexão com frases ou palavras e em alguns casos com violentos clamores. Esse fato é admitido pelos próprios Pentecostais, porém, eles tentam racionalizá-lo dizendo que eles passam a falar a "linguagem do paraíso." Entretanto, é impossível aceitar como um milagre de Deus esses murmúrios inexpressivos, pois eles são o resultado de uma excitação nervosa de transe e alucinação que podem levar às margens da loucura. Os sectários blasfemam com suas exaltações artificiais e com seus sons inumanos que são designados por eles de "inspiração Divina."
Em geral, a tendência da sociedade moderna é de sensação psicológica aguda, tais como, músicas violentas e barulhentas, as quais trazem sentimentos maléficos e eróticos, incentivando a desordem sexual, o abuso de drogas estimulantes e narcóticos e o fascínio para filmes violentos e de terror. Todas essas perversões são sintomas de uma alma doente.
Da mesma forma, quando o ser humano busca o encanto e o êxtase nas orações, é sinal de um estado apaixonado e vaidoso da alma. Aí ocorre a substituição dos verdadeiros Dons do Espírito Santo pelos sentimentos psicológicos criados artificialmente. Ignorando totalmente a experiência espiritual dos santos, rejeitando o sacerdócio e os Sagrados Sacramentos estabelecidos por Deus, os atuais sectários tentam obter a Graça Divina através de vários métodos questionáveis. Com o uso dessas abordagens a pessoa tem um engano ou um "encanto" contra o qual nos advertem todos os santos da Igreja Ortodoxa.
Um cristão ortodoxo tem que usar todos os meios possíveis para não seguir esse tipo de sentimento religioso, pois ele tem um acesso completo ao verdadeiro tesouro espiritual nos Sacramentos da Igreja, nos ofícios divinos e nas orações pessoais sinceras. Para a unificação com Deus não se deve buscar a exaltação nem emoções bruscas, mas sim, a regeneração da alma pecadora que ocorre através da humildade, do arrependimento e da correção de si próprio. Pouco a pouco, com a regeneração da alma a pessoa sentirá fluindo em si a autêntica Graça de Deus e com Ela a paz celestial e a felicidade pura, em comparação com as exaltações e encantos artificiais produzidos pelos homens que são substitutos pobres e baratos.
O
movimento Metodista surgiu no século XVIII no seio da Igreja Anglicana oficial sem desejo nenhum de mudar os seus ensinamentos, porém, o objetivo principal era trazer mais moralidade cristã ao povo. Duzentos anos depois do rompimento com a Igreja Católica Romana e as lutas religiosas constantes influenciaram negativamente nessa sociedade, cujo lado moral e religioso encontrava-se em um estado totalmente decadente. Por volta de 1730 a 1740 o arcebispo de Cantebury mencionou em um discurso pesaroso, que círculos seculares da nobreza e de cientistas ridicularizavam abertamente a Igreja e seu clero sem nenhum constrangimento.Durante esse período difícil da Igreja Anglicana, um jovem teólogo da Universidade de Oxford chamado Charles Wesley e seu irmão John Wesley juntamente com um grupo de amigos criaram um clube de fiéis fervorosos que se chamou o "Clube Sagrado," cuja finalidade era viver de acordo com os ensinamentos do Evangelho submetendo-se a jejuns, orações e realização de boas obras seguindo métodos muito rigorosos (provindo daí o seu nome). Durante seis anos Wesley proferiu palestras em Oxford, presidiu debates públicos e declarou-se um seguidor de Lutero na "fé absoluta," tornou-se um pregador divagante da religiosidade e logo depois disso foi excomungado pela Igreja. A partir daí ele criou sua própria "Sociedade Unificada," onde qualquer indivíduo poderia pregar independentemente do sexo ou de sua posição social. Em 1741 como conseqüencia da desavença nos ensinamentos sobre a "predestinação" (onde algumas pessoas são predestinadas à salvação e outras à condenação eterna), os Metodistas dividiram-se em dois grupos. Na Inglaterra eles reconheceram o livre arbítrio quanto a questão da salvação e na América eles conservaram os ensinamentos sobre a "predestinação" incondicional.
Quanto aos ensinamentos dogmáticos eles são semelhantes aos Anglicanos admitindo a necessidade de boas obras, mas não exigem uma unificação nos ensinamentos e nem especificam formas de cultos. Entretanto, eles exigem o temor a Deus e atitudes justas. Eles conservaram as posições de bispos, presbíteros e diáconos. Os presbíteros oficiam o Sacramento da Comunhão e os diáconos podem "abençoar" casamentos, realizar batizados e auxiliar durante a Eucaristia.
Os Metodistas respeitam seriamente os Mandamentos de Cristo e possuem uma organização de fiéis e de obras missionárias bem desenvolvida. Suas paróquias são divididas em "círculos" e "classes." As "classes" reunem-se semanalmente onde eles discutem a posição espiritual de cada membro e trocam idéias de suas experiências espirituais. Eles não desprezam qualquer tipo de trabalho, dispendem grande atenção às crianças, lutam contra a violação do descanso dominical, são contrários aos divertimentos levianos, aos gastos insensatos e ao alcoolismo. Eles dão nomes muito difíceis para seus filhos. Existem nos EUA cerca de 12 milhões de membros. Assim como todos os Protestantes eles não reverenciam a Virgem Maria e nem aos santos. Eles não possuem ícones, símbolos e nem arquitetura de Igreja.
(O Princípio da Igreja Livre)
E
m 1520 surgiu na Saxônia uma seita chamada "Anabatistas." Ela obteve esse nome pelo costume que tinha de batizar a todos que se associavam a ela. Os Anabatistas começaram a praticar o princípio da liberdade; não somente a liberdade religiosa mas também a liberdade social e política e não hesitavam em usar a força e a violência para obterem os seus princípios. Baseando-se nisso, eles iniciaram a derrubada do governo civil, das relações sociais e desenvolveram a totalidade dos "Direitos Iguais" no uso de toda propriedade e até das relações matrimoniais. Essa seita constituiu uma revolucionária organização político-social que usava a religião para encobrimento dos fatos. A ação e o ensinamento de seus pastores ocasionaram revoltas armadas, assassinatos e roubos. Na cidade de Münster (Alemanha) um certo padeiro proclamou-se rei e mudou o nome da cidade para "Nova Jerusalém" e o seu reino para "Nova Sião." Ele enviou 28 "apóstolos" a fim de conquistar adeptos para sua religião. Para equiparar a todos em termos de educação, ele ordenou que queimassem todas as bibliotecas e destruíssem toda obra de arte. Os templos cristãos foram destruídos, o clero e as pessoas mais abastadas foram assassinadas. Esse "reino" terminou em 1535 com a cidade enfurecida e armada e com a execução de todos os seus culpados. O Anabatismo estava em decadência quando foi parcialmente resgatado por um antigo padre católico romano chamado Menon que se tornou um Anabatista. Ele introduziu na seita uma disciplina rigorosa continuando a batizar os recém-associados; evitando o juramento civil, os serviços militares e civis e as transações com os tribunais. Os Menonitas existem na Holanda, Rússia, Inglaterra e EUA e são identificados pelo comportamento moral rígido, decência e capacidade de trabalho.
(Os Santos dos Últimos Dias e o legado de Joseph Smith)
E
sta seita americana surgiu em 1830 e tem atualmente cerca de 2,5 milhões de adeptos. A maioria deles vivem nos EUA no estado de Utah e outros no Canadá, Inglaterra, Suíça e Nova Zelândia.O seu fundador foi Joseph Smith que escreveu um livro chamado "Livro dos Mórmons," o qual eles consideram como uma "escritura sagrada" sendo um complemento para a Bíblia. Nesse livro Smith descreve a estória fantástica de um grande grupo de judeus que no ano 600 a.C. emigrou para a América. A parte menos culta dessa imigração tornou-se o antepassado dos índios selvagens e a parte mais culta, mais inteligente, começou a construir cidades promovendo o conhecimento e sendo visitada por Jesus Cristo, Cujos ensinamentos foram supostamente gravados em tabelas de ouro pelo "profeta" Mórmon. Seu filho Moroni transcreveu essas tabela